Movimento Solar Livre

O mercado brasileiro de energia solar, um dos mais dinâmicos do mundo, está se preparando para uma mudança significativa que pode redefinir a curva de preços dos equipamentos fotovoltaicos. O governo chinês, principal fornecedor global de módulos e baterias, anunciou o fim do subsídio fiscal à exportação, uma medida que, combinada a outros fatores macroeconômicos e de cadeia de suprimentos, projeta um aumento considerável nos custos para o consumidor final brasileiro a partir de abril de 2026.

A decisão, formalizada pelo Ministério das Finanças da China, marca o cancelamento do reembolso do Imposto sobre Valor Agregado (VAT) para exportações, um mecanismo que, até então, concedia um tax rebate de até 9% sobre o VAT para determinados produtos fotovoltaicos. Este incentivo funcionava como um redutor de preço que beneficiava a competitividade dos produtos chineses no mercado internacional.

A eliminação do reembolso do VAT, que era um benefício fiscal para o exportador chinês, deve ser repassada para o preço de exportação, elevando o custo de aquisição para os integradores e, consequentemente, para os consumidores brasileiros.

Detalhes da Nova Política Fiscal Chinesa

A transição para a nova política fiscal será implementada em duas etapas, com cronogramas distintos para módulos e baterias, conforme detalhado na tabela a seguir:

ProdutoData de InícioMudança na Alíquota de Reembolso (VAT)Impacto
Módulos Fotovoltaicos1º de Abril de 2026Eliminação total do reembolso (de até 9% para 0%)Aumento imediato do custo de exportação.
Baterias1º de Abril a 31 de Dezembro de 2026Redução gradual (de 9% para 6%)Aumento parcial do custo de exportação.
Baterias1º de Janeiro de 2027Eliminação total do reembolso (de 6% para 0%)Eliminação completa do incentivo fiscal.

O Impacto no Mercado Brasileiro

O Brasil é altamente dependente da cadeia de suprimentos chinesa, importando mais de 90% de seus equipamentos solares do país asiático . Com a eliminação do subsídio, o mercado nacional se torna diretamente vulnerável à pressão de alta nos preços.

Fatores Adicionais

É crucial notar que o fim do subsídio não é o único motor do aumento de preços. O setor fotovoltaico global está passando por uma profunda reorganização na cadeia produtiva, impulsionada por outros fatores que se somam à mudança fiscal chinesa:

  1. Reorganização da Cadeia de Suprimentos: O governo chinês tem imposto diretrizes de controle de capacidade, especialmente no segmento de polisilício, o que contribuiu para uma alta no preço do insumo ao longo de 2025.
  2. Transição Tecnológica: Fabricantes estão desativando linhas de produção de tecnologias mais antigas, como o PERC, para concentrar investimentos em novas gerações de módulos. Este processo exige capital elevado e, no curto prazo, reduz a oferta disponível no mercado, pressionando os preços.
  3. Custo de Matérias-Primas: O aumento nos custos de matérias-primas críticas, como prata, cobre e alumínio, essenciais para a fabricação de células e estruturas, também contribui para a elevação do custo por Watt dos módulos.

Perspectivas e Planejamento para o Setor

A combinação do fim do subsídio com a reorganização da cadeia de suprimentos sinaliza um novo ciclo para o mercado solar brasileiro. A viabilidade econômica dos projetos, que se baseava em preços historicamente baixos, será desafiada.

Para o mercado brasileiro, o cenário exige planejamento e antecipação. A segurança de fornecimento se tornará um diferencial competitivo crucial, incentivando integradores e distribuidores a buscarem estratégias de estoque e contratos de longo prazo para mitigar a volatilidade dos preços.

Apesar do aumento de custos, a energia solar continua sendo uma das fontes de energia mais competitivas e sustentáveis. No entanto, a janela de oportunidade para projetos com custos mais baixos está se fechando, tornando o momento atual ideal para quem planeja investir em sistemas fotovoltaicos antes que os reajustes de preço se consolidem integralmente no mercado.

25 de Outubro de 2025

Belo Horizonte (MG), 24 de outubro de 2025 — Integrantes da Frente Mineira de Geração Distribuída (FMGD) estiveram nesta sexta-feira (24) na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (SEDE-MG), na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, para discutir com o Governo de Minas os principais desafios enfrentados pelos consumidores que buscam conquistar sua liberdade energética por meio da geração própria de energia solar.

A reunião foi conduzida pelo subsecretário de Estado de Investimentos e Cadeias Produtivas, Daniel Guimarães Medrado de Castro, e contou com a presença de Gustavo Caetano, diretor de Energia da Superintendência de Política Minerária, Energética e Logística do Estado de Minas Gerais (SPMEL) — órgão vinculado à SEDE responsável pela formulação e coordenação da política energética do estado.

Representaram a FMGD o presidente Jomar Britto e os diretores Marcus Tadeu, Cláudio Félix, Marcos Furlan e Daniel Castro, que apresentaram as demandas e preocupações do setor em nome dos consumidores mineiros.

Em nome dos consumidores mineiros

Durante o encontro, a FMGD reafirmou seu papel como porta-voz dos cidadãos, empreendedores e produtores rurais que buscam independência da rede elétrica tradicional, defendendo o direito de produzir sua própria energia limpa e sustentável.

“Falamos em nome dos consumidores que querem liberdade. Cada usina solar representa uma família, um comércio ou uma propriedade rural que busca independência, previsibilidade e justiça no acesso à energia”, destacou Jomar Britto, presidente da FMGD.

Avanço: usinas de até 75 kW sem análise de inversão de fluxo

Entre os temas debatidos, um dos avanços destacados foi o entendimento sobre a dispensa de análise de inversão de fluxo de potência para usinas de até 75 kW, medida que reduz a burocracia e facilita a conexão de pequenos sistemas fotovoltaicos em Minas Gerais.

A proposta foi analisada à luz das normas técnicas e resoluções da ANEEL, que regulam os processos de conexão da geração distribuída no país.

Proposta de criação do Grupo de Trabalho Estadual de Geração Distribuída (GT-GD/MG)

A FMGD apresentou ainda a proposta de criação do Grupo de Trabalho Estadual de Geração Distribuída (GT-GD/MG), a ser composto por representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDE), da CEMIG e da própria FMGD.

O objetivo é estabelecer um canal técnico permanente de diálogo entre governo, concessionária e sociedade civil, garantindo transparência, rastreabilidade e isonomia nos processos de conexão das usinas.

A iniciativa busca fortalecer o papel do Estado como mediador institucional, aproximando as decisões administrativas das necessidades reais dos consumidores mineiros e promovendo um ambiente mais transparente e previsível para o desenvolvimento da geração distribuída.

A voz dos que querem se libertar da escravidão energética

A FMGD ressaltou que os integradores e empresas de engenharia representam a voz de milhares de consumidores que enfrentam barreiras técnicas e administrativas para gerar sua própria energia.

Cada parecer atrasado ou negativa injustificada, destacou a Frente, significa um cidadão impedido de exercer seu direito à autonomia energética.

“Cada família, cada comércio, cada produtor rural que busca a energia solar está, na verdade, lutando contra a escravidão energética. A FMGD existe para dar voz a essa luta e construir, junto ao Governo de Minas, um caminho de liberdade, justiça e sustentabilidade”, reforçou Jomar Britto.

Livre concorrência e papel do Estado como mediador

A FMGD defendeu também que o Governo de Minas, por meio do GT-GD/MG, acompanhe a atuação da CEMIG SIM, garantindo neutralidade e respeito aos princípios da livre concorrência e da igualdade de condições de mercado.

A Frente destacou a importância de o Estado exercer um papel ativo de mediação técnica e institucional, equilibrando as relações entre distribuidora e consumidores, e promovendo um ambiente democrático, transparente e com segurança jurídica para o avanço da Geração Distribuída em Minas Gerais.

Por Lucas Mello – producaodiario@svm.com.br

 

26 de Setembro de 2025 – O Brasil está vivendo um dos maiores ciclos de investimento em energia limpa de sua história. Já são mais de R$ 250 bilhões investidos, mais de 1,5 milhão de empregos gerados e mais de R$ 80 bilhões em tributos arrecadados. A geração distribuída é hoje um dos principais motores de desenvolvimento econômico e social do país e não podemos permitir que decisões mal planejadas freiem esse avanço.

O Brasil está vivendo um dos maiores ciclos de investimento em energia limpa de sua história. Já são mais de R$ 250 bilhões investidos, mais de 1,5 milhão de empregos gerados e mais de R$ 80 bilhões em tributos arrecadados. A geração distribuída é hoje um dos principais motores de desenvolvimento econômico e social do país e não podemos permitir que decisões mal planejadas freiem esse avanço.

O curtailment, prática de reduzir a produção de usinas solares e eólicas em certos momentos do dia por falta de infraestrutura de transmissão e escoamento dessa energia, é um alerta vermelho. Estamos falando de energia limpa, já paga e produzida, sendo desperdiçada. Isso desanima investidores, afeta consumidores e ameaça um setor que movimenta bilhões, gera empregos e nos posiciona como referência mundial em sustentabilidade, ainda mais num ano que estamos sendo protagonistas e palco da COP 30.

Não podemos permitir que pequenos grupos de interesse, buscando benefícios próprios, ditem o futuro de uma cadeia que beneficia milhões de brasileiros. Qualquer decisão precisa ser debatida com a sociedade, de forma ampla e transparente, e não em gabinetes.

A solução está diante de nós, investir em novas linhas de transmissão, acelerar obras estratégicas, incentivar sistemas de armazenamento, redes inteligentes e programas que envolvam o consumidor na gestão do uso de energia. Precisamos de medidas inteligentes e planejadas, não de freios que ameacem um setor que é símbolo de progresso.

Desincentivar a geração distribuída é dar as costas ao futuro, ao emprego e à arrecadação de impostos que fortalecem estados e municípios. O Brasil tem tudo para ser líder global na transição energética — mas precisa de coragem para tomar decisões que favoreçam o coletivo, e não interesses isolados.

É hora de união, de pressão da sociedade e de ação do governo. Não podemos desligar o futuro. Precisamos investir, inovar e garantir que cada raio de sol continue gerando renda, empregos e desenvolvimento para todos os brasileiros.

Matéria do Diário do Nordeste: Link da matéria

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colaboradores/nao-podemos-desligar-o-futuro-da-energia-solar-1.3694079