Monopólio das distribuidoras está chegando ao fim, escreve Julia Fonteles

"Para os mais conservadores, a geração distribuída no mercado é uma ameaça à segurança e ao acesso à energia. Segundo eles, a característica intermitente das renováveis requer uma diversificação maior no sistema e a inclusão dos combustíveis fósseis para obter maior garantia e segurança da oferta de energia", escreve Julia Fonteles

Vale ressaltar que a tecnologia da energia solar existe há mais de 50 anos. No começo dos anos 90 e com um aumento de pesquisas sobre o agravamento da crise climática, as distribuidoras de energia tiveram a oportunidade de investir na diversificação da rede, mas optaram por seguir com o modelo dos combustíveis fósseis. Agora, sofrem com a concorrência do mercado.

“Para os mais conservadores, a geração distribuída no mercado é uma ameaça à segurança e ao acesso à energia. Segundo eles, a característica intermitente das renováveis requer uma diversificação maior no sistema e a inclusão dos combustíveis fósseis para obter maior garantia e segurança da oferta de energia”, escreve Julia Fonteles
Foto: PixaBay

A queda no preço da energia renovável vem causando perturbações no mercado. O termo conhecido como utility death spiral explica o ciclo vicioso das consequências da geração distribuída no mercado de energia. Devido às vantagens das energias renováveis, incluindo sua autonomia, benefícios para o meio ambiente e uma rede livre de emissões de carbono, os consumidores têm cada vez mais motivos para produzirem sua própria energia.

À medida que eles saem do mercado, porém, centrais de energia perdem parte do seu lucro. Para compensar custos operacionais, elas aumentam o preço da energia, criando ainda mais incentivos para consumidores deixarem a central. Isso pode significar o fim do monopólio das distribuidoras de energia.

Esse fenômeno está se repercutindo pelo mundo. Desde 2008, as empresas de distribuição de energia alemãs estão sofrendo as consequências da falta de práticas sustentáveis. A Alemanha, por ser um dos primeiros países do mundo a subsidiar energia renovável, foi a primeira a sofrer com a dispersão do mercado.

De 2008 a 2013, suas principais distribuidoras de energia E.ON, RWE, Vattenfall e EnBW obtiveram prejuízo. Mesmo com um aumento gradual do preço de energia chegando a 41%, elas não conseguiram recuperar os lucros seguindo business as usual. Devido à pressão financeira e ao risco de falência, desde 2013, as distribuidoras passaram a incluir investimento em renováveis para diversificar suas atividades. EnBW anunciou que iria investir 12 bilhões de euros para aumentar sua parcela de energia renovável até 2025.

Para os mais conservadores, a geração distribuída no mercado é uma ameaça à segurança e ao acesso à energia. Segundo eles, a característica intermitente das renováveis requer uma diversificação maior no sistema e a inclusão dos combustíveis fósseis para obter maior garantia e segurança da oferta de energia. Para salvar as distribuidoras e manter a estabilidade do sistema, alguns acreditam que os subsídios governamentais para energia renovável devem acabar. Para os mais liberais, a baixa do preço é saudável para o mercado pois força empresas a inovarem suas práticas e fomenta concorrência no mercado.

Possíveis soluções para arcar com a intermitência das renováveis incluem o investimento em energia nuclear, que é livre de emissão de carbono. Outras novas tecnologias incluem o biogás, armazenamento de baterias e energia geotermal. Diminuir o consumo de energia por meio de sistemas autônomos também é um grande atrativo, principalmente no estado da Califórnia.

Outras formas de manter o incentivo para energias renováveis sem subsídios sãos os acordos de compra de energia de longo prazo. Tais acordos estão se tornando cada vez mais comuns entre grandes empresas e produtores de energia, onde um preço fixo é estipulado durante um período de tempo predeterminado entre os participantes.

A Índia, por exemplo, vem investindo bastante na diversificação das fontes de energia e em sua rede de transmissão. Por meios de leilões e tarifas de aquisição, o país está aumentando sua parcela de renováveis para conseguir suprir uma crescente demanda de energia. Hoje, conta com uma parcela de 23% de energia renovável em sua matriz energética, um aumento de 24% em comparação ao ano passado.

O fato é que, a curto prazo, os preços de energia muito provavelmente vão aumentar com o período de ajuste no mercado. Mas, graças aos investimentos contínuos em diferentes tecnologias, espera-se que o preço se estabilize no longo prazo. Com a mudança do mercado, é necessário proteger e transferir os subsídios para ajudar a população de baixa renda até que os preços se estabilizem.

Vale ressaltar que a tecnologia da energia solar existe há mais de 50 anos. No começo dos anos 90 e com um aumento de pesquisas sobre o agravamento da crise climática, as distribuidoras de energia tiveram a oportunidade de investir na diversificação da rede, mas optaram por seguir com o modelo dos combustíveis fósseis. Agora, sofrem com a concorrência do mercado.

Fonte: https://www.poder360.com.br/opiniao/economia/monopolio-das-distribuidoras-esta-chegando-ao-fim-escreve-julia-fonteles/

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