O Mundo passa por uma transição que atingirá em cheio o setor elétrico, a descarbonização da economia é caminho sem volta, é fim e não meio.

Nos últimos anos, a energia renovável rompeu a barreira do custo. Mas para ser amplamente adotada, tem que romper ainda com uma série de barreiras institucionais, técnicas e políticas.
Todo mundo sabe que chegou a hora da energia renovável. Uma questão cada vez mais importante diz respeito aos recursos descentralizados e como usá-los de maneira mais eficiente. Estruturas de governança e desenvolvimento de novos modelos de negócios são importantes para ambos.
Chegou o momento da “D3” – descarbonização, digitalização e descentralização – esses são os motores principais para a transição energética.
O mundo inteiro caminha para a geração descentralizada de energia. Se isso fosse dito há alguns anos atrás, ninguém teria acreditado que em menos de uma década a configuração existente de fornecimento de energia seria fundamentalmente desafiada. 
Em grandes partes do mundo, a geração descentralizada de energia significa geração de energia renovável através de painéis solares fotovoltaicos e turbinas eólicas espalhados por telhados e dispersos em hectares de terras agrícolas e localidades isoladas. Essa realidade, constituem uma quebra do paradigma da economia de escala que costumava dominar a economia da indústria de fornecimento de energia no século XX.
Reduzir as emissões de gases de efeito estufa tornou-se um imperativo global para prevenir um impacto negativo duradouro no caminho de desenvolvimento das gerações futuras. Uma das opções de política menos contestadas é um fornecimento de energia neutro em carbono. 
Órgãos reguladores e políticos têm contribuído significativamente para o surgimento de uma geração de energia renovável que promova uma mudança para uma estrutura de abastecimento sustentável. Acreditamos que a verdadeira revolução dessas mudanças recentes da estrutura de abastecimento de energia relaciona-se com a capacitação do consumidor final para transcender para o papel de produtor autônomo de energia, como está ocorrendo em diversos países.
Em países em desenvolvimento, como o Brasil, geradores descentralizados podem levar a um salto de desenvolvimento de infraestrutura elétrica, análogo ao uso de telefones celulares em vez de construir uma rede fixa para serviços de telefonia fixa. Especialmente nas áreas rurais e em comunidades isoladas, os geradores descentralizados podem fornecer um serviço auxiliar à infraestrutura energética existente, com o estabelecimento de micro-redes distribuídas que melhoram a qualidade de vida dos residentes locais.
Mais importante, porém, este movimento não é apenas uma transformação global, é uma transformação individual também: em todo o mundo, consumidores privados decidiram se transformar em micro-investidores para sua geração pessoal. Coletivamente, eles contribuem para a renovação e reconstituição do sistema de energia.
Essa realidade foi motivada pela queda vertiginosa do custo de implantação da tecnologia fotovoltaica, a diminuição do custo de produção de energia, que de acordo com a International Renewable Energy (IRENA), a LCOE das usinas fotovoltaicas caíram 74% entre 2010 e 2018, chegando a US$ 0,085 por kWh, e, finalmente, ao alto preço das tarifas de energia praticadas em todo o Mundo.
O crescimento foi vertiginoso como pode ser observado nos números apresentados a seguir:
A capacidade instalada cumulativa para sistemas solares fotovoltaicos na Austrália ficou em 6,4 GW, com cerca de 1,8 milhões de instalações (AEC 2018). 
Em toda a Europa, cerca de dois terços dos sistemas solares estão localizados no telhado, sejam eles residenciais, comerciais ou industriais. 
Na Alemanha, existem aproximadamente 1,5 milhões de sistemas fotovoltaicos (GTAI 2018) com um total instalado de quase 43 GW até o final de 2017. 
Na Índia os telhados solares representam 9% da capacidade solar do país. 
No Japão, cerca de 11,8% das novas adições solares são em telhados (REN21 2018).
A Itália conta com aproximadamente 700 mil instalações solares distribuídas, que juntas tem potência instalada de 20 GW, e foi responsável por gerar aproximadamente 25 GWh, correspondendo a aproximadamente 9% do consumo total verificado no país.
A geração distribuída de energia efetivamente veio para ocupar espaço no setor elétrico mundial, é um caminho sem volta, sendo também, neste momento pós pandemia uma das opções de geração de empregos e crescimento econômico, vejamos o exemplo da Itália, um dos países mais afetados pela Covid-19, que anunciou o “Decreto de Relançamento de Medidas de Estímulo Econômico”, que prevê destinar € 55 bilhões em benefícios e tem várias frentes, com descontos de até 110% aos italianos que incluírem medidas de eficiência energética na reforma de suas casas, que prevê ainda, que as despesas serão dedutíveis no imposto de renda.
O Brasil conta com cerca de 7.3 GW de potência instalada de fonte fotovoltaica. Chegamos a este número, somando os mais de 4 GW de micro e minigeração distribuída, com cerca de 1 GW de geração dos produtores independentes de energia no âmbito do ACL, junto com os 2,3 GW de geração centralizada provenientes dos leilões de energia promovidos pela Governo. Infelizmente os 7,5 GW representam menos de 3% da matriz elétrica nacional.
Se todas as esferas de governos, ou seja, municípios, estados e o governo federal, realmente resolvessem estimular o crescimento da fonte solar fotovoltaica, conseguiríamos em curto espaço de tempo elevar a participação da fonte solar para 20% da matriz elétrica nacional, promovendo uma verdadeira revolução energética, que seria bancada quase que integralmente com investimentos efetivados pela iniciativa privada.
Estamos falando de bilhões de reais de investimentos por toda as regiões brasileiras, principalmente no semiárido nordestino, onde tem uma imensidão de terras propícias para a implantação de usinas solares, com condições climáticas favoráveis e infraestrutura elétrica já existente em virtude de abrigar nesta região a maior parte das grandes hidrelétricas existentes no País.
Imaginem as fontes solar e eólica participando com cerca de 40% da geração de energia em nosso País, só utilizando os recursos hídricos para regular a intermitência dessas fontes, preservando dessa forma, as reservas estratégicas de água para produção de alimentos e consumo humano.
É sonho, pode ser, mais é lindo de ser sonhado, sou um eterno sonhador.

Foto do perfil de Daniel Lima - Diretor RDSOL
Daniel Lima – Diretor RDSOL- Presidente Associação Nordestina de Energia Solar- ANESOLAR

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