Volto a escrever sobre este tema, em virtude do momento de evolução energética que o Mundo atravessa

O carvão mineral brasileiro é classificado como de baixa qualidade e extremamente poluente por apresentar, como características básicas, elevado teor de cinzas e enxofre. Vale destacar, que as reservas brasileiras de carvão e todas as térmicas que utilizam o carvão no processo de produção de energia estão localizadas na região Sul, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Além disso, o beneficiamento do carvão brasileiro resulta em rejeitos com alta concentração de enxofre, que podem causar danos ao meio ambiente caso não sejam convenientemente descartados. Isto tende a elevar significativamente os custos de operação tornando insustentável sua extração também nos aspectos econômico e financeiro.

As térmicas a carvão em operação no Brasil apresentam um coeficiente de emissão elevado, superior a 1.400 kg CO2 por cada MWh gerado. Esse índice está fundamentalmente relacionado à tecnologia que utilizam, pois são térmicas com vários anos de funcionamento, que refletem um estágio tecnológico já ultrapassado.

Por outro lado, os combustíveis fósseis são os principais contribuintes para o volume de emissões de gases de efeito estufa. A extração de carvão mineral desfaz o processo evolutivo utilizado pela natureza que levou milhões de anos para armazenar carbono de forma segura no subsolo. Hoje com a extração do carvão mineral, fazemos exatamente o contrário, extraímos o carbono estocado em forma de minério e jogamos o mesmo na atmosfera de nosso Planeta de forma insustentável, a tal ponto de alterar o clima que por sua vez intensificou os fenômenos climáticos causando mortes e destruição em várias partes.

Em tempos de crescente preocupação com o aquecimento global e com as mudanças do clima, a questão da emissão de gases torna-se relevante quando se admite o subsídio de 100% da utilização do carvão mineral como alternativa para a geração de energia elétrica.

Fica uma pergunta. Porque que o consumidor brasileiro pagou, na forma de aumento nas tarifas de energia, mais de R$ 6 bilhões nos últimos anos para subsidiar 100% do carvão mineral nacional utilizado na produção de energia?

Além de transferir renda de todos os brasileiros para a região sul do País, com esses recursos daria para construir pelo menos 1.500 MW (megawatts) ou 1,5 GW (gigawatt) de usinas fotovoltaicas nas regiões norte e nordeste do País, gerando cerca de 180.000 MWh de energia limpa e segura, levando emprego e renda para as populações locais.

Foto do perfil de Daniel Lima - Diretor RDSOL
Daniel Lima – Diretor RDSOL- Presidente Associação Nordestina de Energia Solar- ANESOLAR

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