A energia solar distribuída continua sua trajetória de expansão no Brasil, consolidando-se como uma das principais alternativas para a geração de energia limpa e renovável no país. Os dados mais recentes, compilados pela ANEEL e divulgados pelo Movimento Solar Livre, revelam números impressionantes sobre o setor.
Penetração ainda limitada, mas em crescimento acelerado
Apesar do avanço significativo, a energia solar distribuída atende atualmente apenas 7,29% das unidades consumidoras brasileiras – o equivalente a 6,9 milhões de consumidores. Isso significa que 92,71% dos consumidores (95,7 milhões de unidades) ainda não têm acesso a essa forma de geração de energia.
O ritmo de crescimento, no entanto, é animador: o setor registra expansão de 1,8 milhão de novas unidades consumidoras anualmente, sinalizando um aumento progressivo na adesão à tecnologia solar.
São Paulo lidera em projetos, mas não em potência
Com 654.219 sistemas instalados, São Paulo ocupa a primeira posição no número de projetos de energia solar distribuída. Logo atrás vêm Minas Gerais (407.447 projetos) e Rio Grande do Sul (390.481 projetos). No total, o país conta com 3.889.353 sistemas instalados.
Quando analisamos a potência instalada, porém, o ranking se mantém similar: São Paulo lidera com 6.241 MW, seguido por Minas Gerais (5.556 MW) e Paraná (4.062 MW). A capacidade total instalada no Brasil soma impressionantes 43,4 GW.
Geração de empregos: mais de 1,3 milhão de postos de trabalho
Um dos aspectos mais relevantes do setor é sua capacidade de gerar empregos. A energia solar distribuída já criou mais de 1,3 milhão de empregos em todo o país (1.303.724 postos de trabalho, para ser exato).
São Paulo novamente lidera, com 187.244 empregos gerados, seguido por Minas Gerais (166.699) e Paraná (121.872). Curiosamente, quando observamos os estados que mais geraram empregos especificamente em dezembro de 2025, o destaque vai para Mato Grosso, com 135 novos postos, seguido por Rio Grande do Sul (16), Santa Catarina (8) e São Paulo (6).
Distribuição regional e presença nacional
A análise regional mostra que o Centro-Oeste lidera em penetração percentual, com 11,47% das unidades consumidoras utilizando geração distribuída. O Sul vem em seguida com 8,31%, seguido pelo Sudeste (7,78%), Norte (6,00%) e Nordeste (5,04%).
A microgeração está presente em 99,91% dos municípios brasileiros, demonstrando a capilaridade dessa tecnologia. Além disso, 99,51% das usinas no Brasil são classificadas como microgeração, enquanto apenas 0,49% são minigeração.
Matriz elétrica brasileira: 16,7% já é solar distribuída
No contexto da matriz elétrica nacional, que totaliza 259,630 GW de capacidade instalada, a energia solar distribuída já representa 16,7% (43,457 GW). Quando somada à solar centralizada (7,7% ou 19,957 GW), a energia solar alcança 24,4% da matriz brasileira.
A liderança continua sendo da energia hídrica, com 42,4% (110,212 GW), seguida pela eólica com 13,3% (34,523 GW). As fontes de biomassa e biogás representam 6,9%, gás natural 7,7%, petróleo e outros fósseis 6,9%, carvão mineral 3,0% e nuclear 0,8%.
Perspectivas para o futuro
Os números demonstram que, embora a energia solar distribuída já tenha alcançado marcos significativos, ainda há um vasto potencial de crescimento. Com mais de 92% dos consumidores brasileiros ainda sem acesso a essa tecnologia, e considerando o ritmo atual de expansão, o setor promete continuar sendo um dos principais motores da transição energética no país.
A combinação de benefícios econômicos para os consumidores, geração de empregos e contribuição para a sustentabilidade ambiental posiciona a energia solar distribuída como protagonista no futuro energético brasileiro.
