Com base em análise de Daniel Lima – Economista
Os dados mais recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam que o Brasil iniciou o ano de 2026 com níveis de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas significativamente abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior, o que acende um alerta para a segurança energética nacional.
Na região Sudeste/Centro-Oeste, responsável por parcela relevante da geração hidráulica do país, os níveis recuaram de 61% em janeiro de 2025 para 43% em janeiro de 2026. No Nordeste, a queda foi de 67% para 48%. No agregado nacional, a capacidade de armazenamento passou de 63% para 46%, configurando um cenário de atenção ainda durante o período de recarga dos reservatórios.
Impactos para o sistema elétrico e para o consumidor
A redução dos níveis de armazenamento compromete a capacidade de atendimento da demanda ao longo do ano e aumenta a probabilidade de acionamento das bandeiras tarifárias vermelhas, o que implica custos adicionais ao consumidor final e maior despacho de usinas termelétricas.
Além do impacto tarifário, a maior dependência de fontes térmicas pressiona o sistema sob os aspectos econômico e ambiental, reforçando a necessidade de soluções estruturais que ampliem a resiliência da matriz elétrica brasileira.
O papel da geração distribuída e seus limites
A expansão da geração distribuída solar, que atualmente soma cerca de 43 GW de capacidade instalada, tem contribuído para reduzir a pressão sobre os reservatórios, especialmente durante o período diurno. Trata-se de um avanço relevante para a diversificação da matriz e para o fortalecimento da segurança energética.
No entanto, a intermitência inerente à fonte solar impõe desafios adicionais, sobretudo nos horários de maior demanda noturna. Esse contexto evidencia a importância da integração de sistemas de armazenamento de energia (BESS) como elemento complementar e estratégico para o setor elétrico.
Armazenamento de energia como vetor de segurança energética
A ausência de políticas públicas mais robustas voltadas à regulação e ao incentivo do armazenamento de energia retardou a adoção dessa tecnologia no país. Sistemas de baterias poderiam desempenhar papel fundamental ao permitir o armazenamento do excedente gerado durante o dia, a entrega de energia nos períodos de pico, a redução de cortes de geração renovável e a diminuição da dependência das termelétricas.
O atraso na incorporação do armazenamento amplia a vulnerabilidade do sistema elétrico e limita a capacidade de resposta diante de cenários hidrológicos adversos.
Um cenário que exige decisões estruturantes
O contexto de 2026 apresenta desafios adicionais em relação a episódios anteriores de escassez hídrica, como o ocorrido em 2021. A combinação entre níveis críticos dos reservatórios, maior sensibilidade econômica aos custos de energia e ausência de soluções estruturais amplia os riscos para o setor elétrico e para a sociedade.
Diante desse cenário, torna-se fundamental avançar em planejamento energético de longo prazo, com foco na diversificação da matriz, no fortalecimento das fontes renováveis, na segurança energética e na implementação de marcos regulatórios que viabilizem o armazenamento de energia em larga escala.
Energia como tema estratégico para o país
A evolução do cenário energético tende a ocupar espaço central no debate público nacional. Os efeitos das bandeiras tarifárias e do maior custo da energia já são percebidos pela população, o que reforça a importância de decisões técnicas, transparentes e baseadas em dados.
Para o Movimento Solar Livre e a Coalizão Solar, o momento exige diálogo institucional, coordenação entre os agentes do setor e políticas públicas que promovam energia limpa, segurança energética, sustentabilidade, liberdade de escolha do consumidor e maior independência energética para o Brasil.
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