Movimento Solar Livre

ANEEL retira de pauta processo sobre cortes de geração após parecer da AGU sobre “corte contábil”

ANEEL retira de pauta processo sobre cortes de geração após parecer da AGU sobre “corte contábil”

Brasilia, 26 de Fevereiro de 2026 – A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) retirou de pauta o Processo nº 48500.000375/2019-83, que trata da terceira fase da Consulta Pública nº 45/2019 — responsável por definir critérios operativos para redução ou limitação de geração no Sistema Interligado Nacional (SIN).

O processo está sob relatoria da diretora Agnes Maria de Aragão da Costa e, até o momento, não há nova data para deliberação.

A decisão ocorre um dia após a manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre o chamado “corte contábil” aplicado à micro e minigeração distribuída (MMGD).

AGU afirma que “corte contábil” não tem respaldo legal

No parecer solicitado no âmbito da própria Consulta Pública nº 45/2019, a AGU concluiu que o chamado corte contábil — entendido como uma sistemática de rateio econômico que combina diferentes fontes de geração (hidrelétrica, solar e eólica) para compensação financeira dos efeitos do corte — não encontra respaldo na legislação vigente.

Segundo a Procuradoria Federal junto à ANEEL, essa metodologia não configura realocação estrutural de riscos entre agentes, mas apenas um ajuste contábil acessório realizado de forma ex-post. Isso, por si só, não seria suficiente para conferir base legal à sua aplicação.

Por outro lado, o parecer reconhece que o corte físico da geração, quando determinado por razões operativas e devidamente justificado, pode ter fundamento jurídico em determinadas circunstâncias.

Tema sensível para a geração distribuída

A Consulta Pública nº 45/2019 ganhou relevância com o aumento dos episódios de restrição operativa e curtailment no SIN, especialmente diante da expansão das fontes renováveis variáveis, como solar e eólica.

A definição de critérios para limitação de geração impacta diretamente:

  • A previsibilidade econômica dos empreendimentos

  • A alocação de riscos entre agentes

  • A segurança jurídica da micro e minigeração distribuída

No caso da MMGD, a discussão sobre eventual corte contábil mobilizou fortemente o setor, justamente por envolver a possibilidade de alteração econômica dos créditos de energia já constituídos.

Possíveis ajustes na proposta regulatória

A retirada do processo da pauta pode indicar a necessidade de ajustes adicionais na proposta normativa à luz do entendimento jurídico apresentado pela AGU.

O mercado agora aguarda:

  • A retomada da deliberação pela diretoria da ANEEL

  • Eventuais sinalizações sobre mudanças na modelagem regulatória

  • Maior clareza sobre a alocação de riscos e critérios de limitação de geração

O tema é estratégico para o futuro da geração distribuída no Brasil e reforça a importância de decisões alinhadas ao marco legal vigente, com previsibilidade e segurança jurídica.

O posicionamento do Movimento Solar Livre

O Movimento Solar Livre acompanha atentamente os desdobramentos regulatórios que impactam a geração distribuída.

A defesa da segurança jurídica, da previsibilidade regulatória e do respeito ao marco legal é fundamental para garantir estabilidade ao setor e proteger os investimentos realizados por integradores, empresas e consumidores.

Seguiremos atentos aos próximos passos da ANEEL e às decisões que moldarão o ambiente regulatório da geração distribuída no país.