Diante das recentes exigências relacionadas ao financiamento exclusivo de equipamentos nacionalizados (FINAME), associações e frentes estaduais de geração distribuída passaram a dialogar diretamente com o BNB, apresentando dados técnicos, econômicos e setoriais sobre os impactos práticos dessa política no mercado solar.
Na Bahia, o presidente da Associação Baiana de Energia Solar (ABS), Marcos Rêgo, esteve em reunião no Banco do Nordeste ao lado de outras lideranças do setor, levando ao banco a realidade atual do mercado fotovoltaico e os efeitos diretos da medida nos custos dos projetos.
A iniciativa busca sensibilizar o banco para a necessidade de adequação da política de crédito, considerando:
- Os avanços já alcançados pela indústria nacional;
- A capacidade produtiva real das fábricas brasileiras;
- Os impactos econômicos imediatos sobre consumidores, integradores e investidores.
Essa agenda faz parte de uma articulação nacional construída em alinhamento com o Movimento Solar Livre (MSL), que tem Hewerton Martins como liderança nacional, reunindo frentes e associações estaduais em todos os estados atendidos pelo BNB.
Impactos observados no mercado
Durante as reuniões, as entidades têm demonstrado que a exigência de equipamentos exclusivamente nacionalizados tem gerado:
- Aumento de custos dos projetos, variando entre 30% e 40% em alguns estados e chegando a 70% ou 80% em determinados casos;
- Restrição do portfólio tecnológico, limitando o acesso a soluções mais eficientes;
- Impactos negativos sobre empresas integradoras, especialmente micro e pequenas;
- Risco de redução na geração de empregos;
- Desalinhamento entre o objetivo de fomento à indústria nacional e a realidade atual do setor solar fotovoltaico.
As entidades reforçam que defendem o fortalecimento da indústria nacional, mas destacam que esse processo exige um período de adaptação, com políticas públicas que acompanhem o estágio real de desenvolvimento industrial do país.