Brasília, 11 de fevereiro de 2026 — A transição energética brasileira avança para uma etapa decisiva. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 280 milhões para a WEG reformar uma planta industrial e construir, em Itajaí (SC), a maior e mais moderna fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) do país.
Mais do que um investimento industrial, o projeto representa um marco estratégico para o sistema elétrico nacional, ao fortalecer a segurança energética, ampliar a resiliência da rede e criar condições para a expansão sustentável das fontes renováveis, como a energia solar e a eólica.
Armazenamento de energia: o elo que faltava na transição energética
O crescimento acelerado das fontes renováveis trouxe ganhos ambientais e econômicos relevantes, mas também evidenciou um desafio estrutural: a intermitência da geração. É nesse contexto que os sistemas de armazenamento de energia em baterias ganham protagonismo.
Os sistemas BESS permitem:
- Armazenar excedentes de geração em momentos de baixa demanda;
- Liberar energia nos períodos de maior consumo;
- Reduzir oscilações e interrupções no fornecimento;
- Aumentar a estabilidade e a confiabilidade da rede elétrica.
Na prática, a transição energética deixa de ser apenas uma agenda de geração e passa a ser um desenho sistêmico, que envolve geração, armazenamento, controle e gestão inteligente da energia.
Primeiro projeto da chamada para minerais estratégicos da transição energética
O financiamento aprovado é o primeiro projeto contratado no âmbito da Chamada Pública para Seleção de Planos de Negócio para Investimentos na Transformação de Minerais Estratégicos para a Transição Energética e Descarbonização, uma ação conjunta de fomento do BNDES e da Finep.
Além do impacto tecnológico, a nova unidade fabril deve gerar 90 novos postos de trabalho, reforçando o papel da transição energética como vetor de desenvolvimento econômico e industrial.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto é estratégico para o país por contribuir diretamente para a descarbonização, a segurança energética e a expansão das fontes renováveis, dentro de um novo ciclo de desenvolvimento baseado em inovação e sustentabilidade.
Indústria nacional, tecnologia avançada e autonomia produtiva
A nova fábrica ampliará a capacidade produtiva da WEG em sistemas BESS para até 2 GWh por ano, o equivalente a cerca de 400 sistemas de 5 MWh. Um dos diferenciais será a adoção da arquitetura cell-to-pack, já utilizada pelos principais players globais, que permite maximizar o desempenho e a eficiência das baterias.
O projeto também se destaca por:
- Elevado grau de automação industrial;
- Linhas de montagem automáticas e semiautomáticas;
- Uso de robôs móveis autônomos (AMR);
- Implantação de um laboratório de testes e desenvolvimento;
- Subestação própria e ampliação da planta industrial.
Essa estrutura permitirá maior autonomia tecnológica, suporte local aos clientes e desenvolvimento contínuo de novas soluções para diferentes aplicações.
Impactos para o setor solar e o mercado de energia
Para o setor solar, especialmente para a geração distribuída e o mercado comercial e industrial (C&I), o avanço do armazenamento representa uma mudança estrutural.
Com sistemas de baterias fabricados no Brasil, o mercado passa a contar com:
- Maior previsibilidade operacional;
- Redução de cortes de geração e desperdícios;
- Novos modelos de negócio baseados em flexibilidade energética;
- Mais segurança para consumidores e empresas;
- Integração mais eficiente entre geração solar e rede elétrica.
O armazenamento se consolida, assim, como um pilar essencial para a próxima fase de crescimento das energias renováveis no país.
O papel do armazenamento na segurança energética
Os sistemas BESS armazenam energia elétrica e a liberam quando necessário, ajudando a estabilizar as redes. Isso se torna cada vez mais relevante com a ampliação da participação das renováveis na matriz elétrica.
Esses sistemas são formados por módulos compostos por células de bateria — sendo as de íon-lítio as mais comuns atualmente, devido à alta densidade energética, maior vida útil e eficiência. Dependendo da aplicação, também podem ser utilizadas outras tecnologias, como chumbo-ácido, sódio-enxofre, baterias de fluxo e níquel-cádmio.
A WEG utilizará células novas, de grau A, mas já estuda a viabilidade técnica da reutilização de baterias de segunda vida, alinhando inovação tecnológica e economia circular.
Transição energética exige política pública estruturante
O apoio do BNDES evidencia um ponto central: a transição energética precisa de planejamento, política pública e indústria nacional forte. Sem investimentos em armazenamento, modernização do grid e inovação, a expansão das renováveis pode gerar gargalos técnicos, custos adicionais e insegurança operacional.
Uma transição energética bem-sucedida combina eficiência técnica, viabilidade econômica e benefícios concretos para a sociedade.
O posicionamento do Movimento Solar Livre
O Movimento Solar Livre (MSL) acompanha de forma ativa os avanços estruturais do setor elétrico brasileiro. Acreditamos que o armazenamento de energia será um dos pilares centrais da transição energética na próxima década.
Defendemos uma agenda que promova:
- Integração inteligente das fontes renováveis;
- Segurança energética e resiliência do sistema elétrico;
- Fomento à indústria nacional, preservando a competitividade e assegurando o crescimento do setor de energia solar;
- Clareza regulatória e previsibilidade;
- Uma transição justa, transparente e sustentável.
O futuro da energia no Brasil já está em construção — e o armazenamento de energia é parte essencial desse caminho.
Fonte: Agência BNDES de Notícias
