Movimento Solar Livre

Ex-tarifário de inversores solares: nova lista reduz benefícios, exclui microinversores e pode encarecer energia solar residencial

Ex-tarifário de inversores solares: nova lista reduz benefícios, exclui microinversores e pode encarecer energia solar residencial

Ex-tarifário de inversores solares: o que mudou e por que isso importa

A publicação da nova lista de ex-tarifários para inversores solares trouxe, à primeira vista, um sinal positivo: 62 códigos com imposto reduzido. No entanto, uma análise mais aprofundada revela um cenário preocupante para o avanço da energia solar, especialmente no segmento residencial.

A medida, oficializada pela Resolução GECEX nº 871, passou a valer em 1º de abril e redefine quais equipamentos terão redução tributária, e quais continuarão sujeitos à alíquota cheia de 20%. Na prática, essa lista impacta diretamente o custo de sistemas fotovoltaicos no Brasil.

Redução drástica de equipamentos beneficiados

Um dos pontos mais críticos é a forte redução no número de itens contemplados:

  • Em 2021: mais de 200 equipamentos com imposto reduzido
  • Em 2026: apenas 62 equipamentos

Isso representa uma queda superior a 70% em três anos, sem transição clara ou justificativa amplamente divulgada.

Foco em usinas e exclusão do consumidor residencial

A composição da nova lista evidencia uma priorização específica:

  • 54 inversores trifásicos (87%) – voltados para usinas e projetos comerciais
  • 4 inversores híbridos residenciais
  • 4 inversores monofásicos
  • 0 microinversores

Ou seja, enquanto grandes projetos seguem beneficiados, o consumidor residencial, que utiliza majoritariamente sistemas monofásicos e microinversores, fica praticamente desassistido.

Especificações técnicas levantam questionamentos

Outro ponto que chama atenção é a escolha de potências pouco comuns nos inversores monofásicos incluídos:

  • 7,3 kW
  • 9,1 kW
  • 10,5 kW

Essas faixas não representam o padrão mais difundido no mercado global, o que levanta dúvidas sobre os critérios técnicos utilizados na definição dos códigos.

O modelo de funcionamento do ex-tarifário contribui para esse cenário: cada código nasce a partir de um pedido individual, com especificações detalhadas do produto. Isso pode resultar em descrições altamente específicas, alinhadas a determinados equipamentos.

Microinversores fora da lista: impacto direto na segurança e custo

A exclusão total dos microinversores é um dos pontos mais sensíveis.

Essa tecnologia é amplamente utilizada em sistemas residenciais e reconhecida por operar com tensões mais baixas, sendo associada a padrões de segurança recomendados em instalações em telhados.

Mesmo assim, todos os microinversores passam a ser tributados com 20%, sem exceção.

A justificativa está na classificação de “produção nacional equivalente”, baseada na existência de um modelo nacional. No entanto, essa equivalência considera apenas a função básica do equipamento, sem aprofundar diferenças técnicas relevantes como potência, eficiência ou número de entradas.

Contradições no avanço do armazenamento (BESS)

O cenário se torna ainda mais complexo quando analisado junto ao armazenamento de energia.

Apesar da sanção recente do marco legal de baterias (BESS), reconhecendo o setor como estratégico, houve aumento da tributação desses sistemas. Além disso, a nova lista praticamente não contempla soluções voltadas a armazenamento em escala comercial ou utilitária.

Isso cria um desalinhamento entre política pública e prática regulatória.

Comparação internacional

Quando comparado a outros mercados:

  • Austrália: tarifa zero
  • União Europeia: entre 0% e 2,7%
  • EUA: tarifas com compensações fiscais
  • Índia: tarifas com subsídios diretos

O Brasil adota uma alíquota de 20% sem incentivos complementares, o que pode impactar a competitividade e a expansão da energia solar.

Impacto direto no consumidor

Na prática, o cenário atual gera um efeito claro:

  • Equipamentos para usinas → maior acesso a incentivos
  • Equipamentos residenciais → maior carga tributária

Isso pode elevar o custo de sistemas menores, dificultando o acesso à energia solar para residências e pequenos negócios.

Transparência e equilíbrio como próximos passos

O debate não se resume à proteção da indústria nacional, mas à forma como isso é feito.

Especialistas do setor apontam que políticas industriais podem ser mais eficazes quando combinam incentivos diretos à produção com transparência nos critérios de decisão, evitando impactos negativos ao consumidor final.

O novo ex-tarifário redefine o cenário da energia solar no Brasil.
Embora mantenha benefícios para grandes projetos, levanta preocupações sobre acesso, competitividade e transparência no setor.

Mais do que uma lista técnica, trata-se de uma decisão que influencia diretamente o futuro da geração distribuída no país.

O Movimento Solar Livre/Coalizão MSL já estão atuando e trabalhando ativamente sobre esse tema.

Fonte: Bruno Barbosa – EnergyChannel

https://www.energychannel-br.co/post/novo-ex-tarif%C3%A1rio-62-inversores-parece-muito-at%C3%A9-voc%C3%AA-olhar-por-dentro-%C3%A9-constrangedor