Movimento Solar Livre

FNE Sol e o Desafio da Nacionalização: O Alerta do Movimento Solar Livre – Coalizão Solar

FNE Sol e o Desafio da Nacionalização: O Alerta do Movimento Solar Livre – Coalizão Solar

 

Brasília, 12 de fevereiro de 2026 — O Movimento Solar Livre – Coalizão Solar encaminhou documento formal ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB) manifestando preocupação com a nova exigência de aquisição exclusiva de equipamentos fabricados ou nacionalizados no Brasil para acesso à linha de crédito FNE Sol.

A medida, que impacta diretamente o financiamento de projetos de energia solar no Nordeste e no Norte de Minas Gerais, pode gerar aumento significativo de custos e reduzir a competitividade do setor fotovoltaico regional.

A iniciativa é resultado de uma ação conjunta do Movimento Solar Livre – Coalizão Solar com os presidentes das Frentes Estaduais dos estados atendidos pelo Banco do Nordeste, reforçando a atuação coordenada e institucional em defesa do setor solar.

O que é o FNE Sol e qual sua importância para a energia solar no Nordeste

O FNE Sol é uma linha de crédito do Banco do Nordeste voltada ao financiamento de projetos de energia solar, com condições diferenciadas e juros subsidiados.

A política foi fundamental para:

  • Ampliar o acesso à geração distribuída

  • Estimular investimentos em energia limpa

  • Impulsionar a economia regional

  • Gerar mais de 257 mil empregos diretos no Nordeste

O setor solar tornou-se um dos principais vetores de desenvolvimento econômico regional, especialmente em estados como Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Maranhão, Piauí e Minas Gerais.

Impactos da exigência de equipamentos nacionalizados no FNE Sol

Embora a medida tenha como objetivo fortalecer a indústria nacional, o Movimento Solar Livre alerta para efeitos econômicos imediatos.

Aumento de custos de até 30%

Equipamentos nacionais podem apresentar custo até 30% superior aos importados. A diferença decorre de fatores como:

  • Escala global de produção

  • Cadeias produtivas consolidadas

  • Competitividade tecnológica

  • Condições cambiais favoráveis à exportação

Esse aumento impacta diretamente o valor final dos projetos financiados pelo FNE Sol.

Restrição de portfólio e limitação tecnológica

A capacidade produtiva nacional ainda é limitada frente à demanda do mercado.

Em 2024:

  • Produção nacional aproximada: 1 MW

  • Instalações no mesmo período: 17 MW

  • Participação da produção nacional: pouco mais de 5% do consumo brasileiro

Essa disparidade pode restringir opções tecnológicas, prazos e competitividade dos projetos.

Impacto nas empresas integradoras e nos empregos

O setor fotovoltaico é majoritariamente composto por empresas integradoras, responsáveis pela instalação, engenharia e comercialização dos sistemas.

O aumento de custos pode:

  • Reduzir a contratação de projetos

  • Diminuir o ritmo de crescimento do mercado

  • Impactar empregos diretos e indiretos

  • Reduzir arrecadação de impostos nos estados

O risco é o desaquecimento de um setor que vinha se consolidando como motor de desenvolvimento regional.

A Força da Atuação Conjunta das Frentes Estaduais

A mobilização institucional conduzida pelo Movimento Solar Livre – Coalizão Solar contou com a atuação conjunta dos presidentes das Frentes Estaduais dos estados atendidos pelo Banco do Nordeste.

Essa articulação demonstra que a organização regional é essencial para:

  • Defender o setor solar

  • Dialogar tecnicamente com instituições financeiras

  • Construir soluções equilibradas

  • Garantir previsibilidade ao mercado

Por isso, fortalecer a Frente do seu estado é estratégico. Quanto maior a representatividade institucional, maior a capacidade de influência e diálogo em decisões que impactam diretamente o setor.

Próximos Passos: Diálogo Institucional com o Banco do Nordeste

O Banco do Nordeste confirmou o recebimento do documento e sinalizou abertura para reunião técnica institucional.

O Movimento Solar Livre – Coalizão Solar seguirá atuando de forma propositiva e responsável, buscando soluções que conciliem:

  • Fortalecimento da indústria nacional

  • Competitividade do mercado

  • Geração de empregos

  • Sustentabilidade econômica da energia solar

A transição energética precisa ocorrer com equilíbrio regulatório, segurança jurídica e previsibilidade para quem investe, gera empregos e contribui para o desenvolvimento regional.