O custo da energia elétrica no Brasil tem sido alvo de debates cada vez mais intensos. Em meio a esse cenário, o economista Daniel Lima propõe uma reflexão provocativa: e se o modelo atual estiver estruturado para aumentar custos, e não reduzi-los?
Com ironia e dados concretos, o artigo “Manual Prático para Reduzir o Custo da Energia no Brasil” expõe distorções que impactam diretamente consumidores, empresas e a competitividade do país.
Contratação de térmicas: custo alto e impacto prolongado
Uma das principais críticas está na contratação de aproximadamente 19 GW de usinas térmicas a gás, com impacto estimado em R$ 39 bilhões por ano repassados aos consumidores.
Esse movimento compromete a matriz energética por anos, elevando custos e reduzindo a competitividade da energia no Brasil.
Encargos e tarifas: aumento constante na conta de luz
Outro ponto central é a criação de encargos com nomenclaturas técnicas, como o ERCAP, que acabam funcionando como custos adicionais na tarifa de energia.
Além disso, reajustes tarifários acima da inflação têm sido recorrentes. Em alguns casos, aumentos chegam a 13,7%, mesmo com inflação inferior a 5%.
Para o consumidor, o impacto é direto: contas mais altas e menor previsibilidade.
Indústria penalizada: custo da energia afeta produção
Empresas do grupo A4 (média tensão), responsáveis por grande parte da produção industrial, têm enfrentado aumentos que chegam a 38%.
Esse cenário afeta diretamente:
- A competitividade da indústria brasileira
- O custo final de produtos
- A capacidade de expansão das empresas
Campanhas de economia vs realidade do sistema
Enquanto campanhas incentivam o consumidor a economizar energia, o modelo atual mantém encargos e custos fixos elevados.
Na prática, mesmo com redução de consumo, o impacto na conta final pode ser limitado, o que levanta questionamentos sobre a eficiência estrutural do sistema.
Projeções preocupantes para o futuro
As estimativas indicam que, até 2031, os encargos podem atingir R$ 100/MWh, pressionando ainda mais os custos energéticos no país.
Ao mesmo tempo, contratos firmados no setor podem direcionar cerca de R$ 500 bilhões em recursos ao longo dos próximos 15 anos, concentrados em determinados agentes do mercado.
O que está em jogo no setor elétrico brasileiro
A discussão vai além de números. Trata-se de decisões estruturais que impactam:
- O preço da energia no Brasil
- A competitividade econômica
- A transição para fontes mais limpas
- A segurança energética do país
O modelo atual levanta um debate essencial: o sistema está sendo modernizado, ou apenas encarecido?
O artigo de Daniel Lima provoca uma reflexão direta: reduzir o custo da energia no Brasil não depende apenas de tecnologia ou recursos naturais.
Depende de decisões regulatórias, estruturais e estratégicas.
O Brasil possui potencial para liderar a transição energética global. Mas, para isso, será necessário alinhar políticas públicas com eficiência econômica e acesso justo à energia.
Fonte: Por Daniel Lima, economista e especialista no setor energético
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