MPF pede suspensão de leilão de energia de R$ 515 bilhões
O maior leilão de energia realizado em 2026 entrou oficialmente na mira do Ministério Público Federal (MPF).
O órgão solicitou à Justiça a suspensão do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), realizado em março, apontando indícios de irregularidades e possíveis impactos bilionários na conta de luz dos consumidores brasileiros.
O certame contratou aproximadamente 20 GW de potência, envolvendo:
- usinas termelétricas a gás natural;
- usinas a carvão mineral;
- ampliação de hidrelétricas.
Mas o que deveria representar segurança energética passou a gerar questionamentos sobre transparência, custos e direcionamento da política energética nacional.
Preço saltou de R$ 300 bilhões para R$ 515 bilhões
O principal ponto levantado pelo MPF envolve a alteração das regras do leilão poucos dias antes da realização do certame.
Segundo as denúncias, o Ministério de Minas e Energia (MME) teria modificado o preço-teto do leilão apenas 72 horas após divulgar os valores originais.
Resultado:
O custo estimado saltou de aproximadamente: R$ 300 bilhões
para: R$ 515,7 bilhões.
Um aumento superior a R$ 215 bilhões.
E o impacto final pode chegar diretamente à conta de luz dos consumidores brasileiros pelos próximos 15 anos.
Setor questiona falta de transparência
O MPF questiona a ausência de:
- Análise de Impacto Regulatório (AIR);
- Estudos técnicos aprofundados;
- Transparência sobre os critérios adotados;
- Justificativas para o aumento expressivo dos custos.
Além disso, entidades e especialistas levantam preocupações sobre possível favorecimento às fontes fósseis, especialmente térmicas a gás e carvão mineral, em detrimento de alternativas renováveis mais competitivas.
Enquanto o mundo acelera a transição energética, cresce o debate sobre qual direção o Brasil está escolhendo para o futuro do setor elétrico.

