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Sua Conta de Luz Pode Subir: O PL 5.017/2019 e os Bilhões em Jogo

Sua Conta de Luz Pode Subir: O PL 5.017/2019 e os Bilhões em Jogo

Uma votação-relâmpago no Senado Federal, que durou menos de oito minutos e ocorreu em um plenário praticamente vazio, aprovou emendas controversas a um projeto de lei que, à primeira vista, parecia inofensivo. O PL 5.017/2019, que originalmente tratava de descontos na tarifa de energia para atividades rurais, foi desfigurado para incluir, dispositivos alheios ao tema original, que podem custar bilhões aos consumidores brasileiros e frear o avanço da transição energética no país.

Entidades do setor elétrico e de defesa do consumidor alertam: as medidas aprovadas podem gerar um impacto financeiro superior a R$ 140 bilhões, que será repassado diretamente para a sua conta de luz nos próximos 30 anos . Mas como isso aconteceu e quais são as consequências para o futuro da energia no Brasil?

 

O Que São os “Jabutis” do PL 5.017/2019?

O Projeto de Lei 5.017/2019, de autoria do senador Hermes Klann (PL-SC), foi aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado em 14 de julho de 2026. O texto original tinha um propósito social importante: estender benefícios tarifários para irrigação, aquicultura e poços semiartesianos. No entanto, o substitutivo apresentado pelo relator inseriu obrigações de contratação de energia que mudam completamente o escopo do projeto.

As emendas mais preocupantes incluem a contratação compulsória de 7,4 GW de energia, divididos da seguinte forma:

Além disso, o PL prevê um novo leilão para o risco hidrológico (GSF) e reconhece investimentos em gasodutos como custos recuperáveis pela União, o que significa que o contribuinte pagará por essa infraestrutura.

 

O Impacto Bilionário na Sua Conta de Luz

A principal preocupação de entidades como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e a Frente Nacional dos Consumidores de Energia é o custo dessas contratações. As termelétricas a gás, por exemplo, são mais caras e poluentes que as fontes renováveis. Ao serem obrigadas a operar em 70% do tempo, elas geram um custo fixo elevado para o sistema elétrico, independentemente da demanda real ou da disponibilidade de energia mais barata.

Esses custos adicionais, estimados em mais de R$ 140 bilhões (e que podem chegar a centenas de bilhões em outras análises), serão rateados entre a maioria dos consumidores brasileiros. Apenas a subclasse residencial de baixa renda foi expressamente excluída do rateio, o que significa que famílias, comércios e indústrias arcarão com essa despesa extra.

 

A Ameaça à Transição Energética

Para o setor de energia solar fotovoltaica, o PL 5.017/2019 representam um sério retrocesso. A imposição de contratações de térmicas inflexíveis ocupa um espaço valioso na rede de transmissão de energia. Isso agrava o problema do curtailment (corte de geração).

 

O que é Curtailment e por que ele afeta a energia solar?

O curtailment ocorre quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisa desligar usinas de energia renovável (como solar e eólica) para evitar sobrecarga na rede ou quando há excesso de oferta. Com as térmicas a gás operando de forma compulsória, o ONS terá menos flexibilidade para gerenciar o sistema. Em dias de sol intenso, as usinas de energia solar, limpa e barata, poderá ser cortada para dar lugar à energia térmica, mais cara e poluente.

Isso não só gera prejuízos financeiros diretos para os produtores de energia solar em usinas, mas também cria um ambiente de insegurança jurídica que desestimula novos investimentos em fontes renováveis.

 

O Futuro do PL 5.017/2019

Felizmente, a aprovação na Comissão de Infraestrutura não é a palavra final. O PL 5.017/2019 ainda precisa ser deliberado no plenário do Senado e, caso aprovado com as emendas, seguirá para a Câmara dos Deputados. Há uma mobilização crescente de entidades da indústria e de consumidores para reverter a inclusão desses “jabutis”.

Este é um momento crucial para o futuro da energia no Brasil. A decisão de hoje impactará não apenas o seu bolso, mas também a matriz energética do país por décadas. Fique atento e cobre seus representantes!