Mais de cem profissionais decidiram que esperar não era mais uma opção. Integradores, empresários, instaladores e especialistas em energia solar ocuparam a frente da sede da Neoenergia Brasília para dar voz a uma realidade enfrentada diariamente por consumidores e empresas: atrasos que, em alguns casos, ultrapassam 600 dias para a conexão de sistemas de geração distribuída.
A manifestação realizada no dia 30 de junho, organizada pela Associação Brasiliense de Energia Solar (ABES), marcou um momento importante para o setor. Mais do que um protesto, foi uma demonstração de que a união institucional é capaz de transformar reivindicações em compromissos concretos.
Um mercado em crescimento que enfrenta desafios operacionais
O Distrito Federal vive uma expansão significativa da energia solar. A geração distribuída cresce impulsionada pelo interesse de consumidores residenciais, empresas e produtores rurais que buscam reduzir custos, aumentar a segurança energética e investir em uma fonte limpa de energia.
Entretanto, esse crescimento passou a conviver com dificuldades operacionais que afetam diretamente quem investe no setor. Empresas relataram atrasos em vistorias, conexões, faturamento, compensação de créditos e atendimento técnico. Em diversos casos, sistemas fotovoltaicos instalados permanecem impossibilitados de operar por meses ou até anos, impedindo que consumidores usufruam da economia esperada.
Segundo representantes da ABES, a situação se agravou após mudanças nos sistemas internos da distribuidora, gerando inconsistências no faturamento, desaparecimento de créditos de energia e dificuldades para acompanhamento dos processos.
Além dos impactos financeiros, a falta de previsibilidade compromete a confiança dos consumidores e reduz a competitividade de um segmento estratégico para a transição energética brasileir
A mobilização abriu espaço para o diálogo e trouxe compromissos concretos
A mobilização reuniu mais de 100 profissionais do setor solar, entre integradores, empresários e representantes institucionais, que apresentaram à Neoenergia Brasília uma pauta estruturada contendo os principais gargalos enfrentados pela geração distribuída.
As demandas foram organizadas em cinco grandes eixos:
- dificuldades técnicas e regulatórias nos processos de conexão;
- falhas no atendimento e na comunicação com o setor;
- atrasos em obras, vistorias e ligações das usinas;
- instabilidades no portal utilizado para análise dos projetos;
- problemas relacionados ao faturamento e à compensação dos créditos de energia.
Após o protesto, representantes da ABES foram recebidos pela diretoria da Neoenergia Brasília, que reconheceu impactos decorrentes da atualização de seus sistemas e anunciou medidas para melhorar o relacionamento com o mercado.
Entre os compromissos assumidos estão a criação de canais exclusivos de atendimento para processos de vistoria, faturamento e compensação de créditos, além do reforço das equipes técnicas, aceleração das análises e aperfeiçoamento dos processos internos.
A distribuidora também informou que continuará trabalhando para reduzir inconsistências e aumentar a previsibilidade dos procedimentos relacionados à conexão das usinas de geração distribuída.
Embora a empresa tenha destacado que aproximadamente metade dos projetos apresentados apresenta pendências técnicas que exigem adequações, o diálogo estabelecido representa um avanço importante para aproximar distribuidora e setor produtivo.
Fortalecer a geração distribuída exige diálogo permanente
A mobilização realizada em Brasília demonstra que o crescimento da geração distribuída depende não apenas de investimentos em tecnologia, mas também de processos eficientes, segurança jurídica e relacionamento institucional entre distribuidoras, consumidores e entidades representativas.
O episódio reforça o papel das associações estaduais e das organizações que atuam em defesa da geração distribuída na construção de soluções para o setor elétrico brasileiro.
A criação de canais específicos de atendimento e o compromisso assumido pela Neoenergia representam um primeiro passo. Agora, será fundamental acompanhar a implementação das medidas anunciadas para garantir que consumidores, integradores e empresas encontrem um ambiente mais eficiente, transparente e previsível.
O fortalecimento da energia solar passa pelo diálogo, pela cooperação entre os agentes do setor e pelo compromisso permanente com a melhoria dos serviços prestados aos brasileiros.