Movimento Solar Livre

Vitória do Setor Solar no DF: A Manifestação que Forçou o Diálogo e Abriu Caminho para Soluções com a Neoenergia

Vitória do Setor Solar no DF: A Manifestação que Forçou o Diálogo e Abriu Caminho para Soluções com a Neoenergia

 

Você já se sentiu impotente diante de problemas que parecem não ter solução?

Dezenas de profissionais e consumidores de energia solar no Distrito Federal sentiram essa frustração. Mas, no dia 30 de junho de 2026, a indignação se transformou em ação, e o que era um muro de burocracia começou a ceder.

Uma manifestação histórica em frente à sede da Neoenergia Brasília não apenas chamou a atenção, mas forçou a distribuidora a sentar à mesa para ouvir e, finalmente, se comprometer com soluções para os gargalos que há anos travam o setor de geração distribuída na capital.

O Distrito Federal é um polo de crescimento para a energia solar, com mais de 580 MWp instalados e 35 mil imóveis conectados. No entanto, por trás desses números promissores, esconde-se uma realidade de atrasos, inconsistências e descaso que vinha sufocando o setor. Problemas em vistorias, conexões, faturamento e atendimento se acumulavam, com casos de usinas aguardando ligação há mais de um ano e pendências que se arrastavam por mais de 600 dias.

A gota d’água foi a recente troca de sistemas internos da Neoenergia, que agravou a situação, causando a perda de descontos e créditos para consumidores.

A paciência do setor se esgotou. Mais de 100 profissionais, entre integradores, empresários e representantes da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABES), foram às ruas para exigir respeito e soluções. A manifestação não foi um ato isolado, mas o ápice de uma série de frustrações causadas por problemas sistêmicos, categorizados em cinco blocos principais :

1.Problemas Técnicos e de Conformidade Normativa: Exigências indevidas de reforma de padrão de entrada, demora na atualização de equipamentos, reprovações de projetos fora do escopo regulatório, pendências técnicas fragmentadas e atrasos na análise de projetos, gerando insegurança jurídica e operacional.

2.Atendimento e Comunicação: Ausência de canais técnicos diretos, restrição ao atendimento presencial, dificuldade de comunicação institucionalizada e respostas genéricas sem prazo definido, criando um abismo entre a distribuidora e o setor.

3.Processos Operacionais: Atrasos alarmantes em obras da distribuidora (alguns superiores a dois anos), descumprimento sistemático de prazos de vistoria, indisponibilidade de equipamentos essenciais (como medidores bidirecionais) e a gestão ineficiente de licenças, paralisando projetos.

4.Falhas Sistêmicas no Portal de Projetos: Instabilidade operacional do sistema (SGPEO antigo e novo), reprovações repetidas e fragmentadas devido à falta de um checklist único, e a impossibilidade de realizar atualizações legítimas pós-aprovação, agravando todos os outros problemas.

5.Faturamento e Compensação de Créditos: O ponto mais sensível, com atrasos e inconsistências nas faturas, o desaparecimento de créditos de energia após migrações sistêmicas, o descasamento entre os ciclos de geração e compensação, o desligamento de usinas sem a devida transferência de créditos e erros de medição com notificações indevidas, causando prejuízos financeiros diretos e significativos.

Esses gargalos não apenas frustram quem busca a energia solar, mas também desaceleram a geração de empregos, comprometem as metas de transição energética do DF e reduzem a competitividade do mercado solar local.

A pressão da manifestação surtiu efeito. A Neoenergia Brasília recebeu os representantes da ABES e, a partir de então, a pauta de reivindicações do setor foi transformada em uma proposta concreta de governança. A solução, que antes parecia distante, agora se materializa na criação de uma nova arquitetura de relacionamento institucional:

  • Comitê de Crise da Geração Distribuída: Composto pela Presidência da Neoenergia Brasília, Diretoria da ABES e gestores estratégicos, este comitê terá reuniões quinzenais para manter um canal institucional permanente, acompanhar demandas, monitorar indicadores e definir prioridades. Este comitê é uma vitória da mobilização, garantindo que as vozes do setor sejam ouvidas no mais alto nível.
  • Grupos Técnicos de Trabalho (GTs): Quatro GTs temáticos (Faturamento e Compensação; Projetos e Análise Técnica; Obras, Vistorias e Conexões; TI / Portal de Projetos) se reunirão semanalmente para tratar das demandas operacionais e regulatórias de forma especializada. A ABES atuará como interlocutora, consolidando e triando as demandas do mercado, assegurando que os problemas sejam endereçados de forma eficiente.

Este modelo de governança, pautado pela eficiência, transparência, previsibilidade e cooperação, é o resultado direto da mobilização. Ele busca transformar reclamações em uma agenda de gestão estruturada, com ritos, responsáveis e monitoramento contínuo, garantindo que os problemas antigos encontrem, finalmente, suas soluções.

Ao final da reunião, foram estabelecidos compromissos concretos: a formalização do Comitê Permanente de Relacionamento da GD, a indicação de representantes técnicos da Neoenergia para cada GT, o estabelecimento de um cronograma de reuniões, um plano de regularização do faturamento, mecanismos de acompanhamento e o fortalecimento dos canais institucionais.

Essa iniciativa, impulsionada pela coragem e união dos profissionais do setor solar, representa um marco. É a prova de que a mobilização legítima pode destravar o potencial da energia solar no Distrito Federal, garantindo um ambiente mais justo, transparente e eficiente para todos os envolvidos. A colaboração entre ABES e Neoenergia Brasília, agora sob o olhar atento do setor, é a chave para que, juntos, possam realmente iluminar o caminho para um futuro energético mais sustentável e próspero na capital do país.