Movimento Solar Livre

São Paulo, 07 de Janeiro de 2026 – Com crescimento projetado de 15% para 2026, setor consolida-se como pilar estrutural do SIN e foca na integração de armazenamento e modelos de geração compartilhada para sustentar expansão

O setor de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD) encerrou o ano de 2025 consolidando uma trajetória de crescimento que o posiciona não mais como um segmento emergente, mas como um componente indispensável da matriz elétrica brasileira. Dados consolidados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) revelam que o país atingiu a expressiva marca de 43,5 GW de potência instalada, refletindo um amadurecimento regulatório e operacional que permeia desde o ambiente residencial até grandes complexos agroindustriais.

Para 2026, a perspectiva permanece otimista, embora o mercado comece a transitar de uma fase de crescimento puramente quantitativo para um ciclo de sofisticação técnica. A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) projeta um avanço de 15% na capacidade instalada para o próximo ciclo, o que levaria o Brasil à marca simbólica de 50 GW. Esse movimento é impulsionado pela estabilidade conferida pelo Marco Legal da GD (Lei 14.300/2022) e pela crescente viabilidade econômica de novas tecnologias.

Capilaridade e Impacto Social: O Raio-X da GD no Território Nacional

A onipresença da geração própria de energia é um dos dados mais robustos do fechamento do ano. Atualmente, a modalidade está presente em 5.565 municípios, cobrindo praticamente a totalidade do território brasileiro. Esse alcance geográfico traduz-se em benefícios diretos para uma parcela significativa da população, democratizando o acesso a fontes limpas e reduzindo a dependência exclusiva da rede de distribuição tradicional em pontos críticos.

Ao analisar a dimensão dos números e o impacto direto na ponta consumidora, o presidente da ABGD, Carlos Evangelista, detalha o cenário atual. “O setor chega ao início do ano com 3,87 milhões de sistemas conectados, distribuídos por 5.565 municípios, de acordo com dados atualizados da ANEEL. Ao todo, são quase 7 milhões de unidades consumidoras que recebem créditos de energia, somando 43,5 GW de potência instalada e beneficiando 21 milhões de pessoas. Em 2026, a projeção é que a GD alcance a marca de 50 GW de potência instalada.”

Hegemonia Solar e a Emergência de Fontes Complementares

Embora a fonte solar fotovoltaica mantenha o domínio absoluto do mercado, respondendo por aproximadamente 99% da potência instalada, o encerramento de 2025 apontou para uma diversificação gradual, mas estratégica. A queda nos preços dos módulos e a facilidade de instalação mantêm o sol como protagonista, mas o aproveitamento de resíduos e biomas locais começa a ganhar tração técnica.

Projetos de biogás, oriundos da agroindústria e do tratamento de resíduos sólidos urbanos, bem como Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) de pequeno porte, estão sendo integrados à matriz de GD. Essa diversificação é fundamental para a segurança do sistema, pois oferece fontes com perfis de geração distintos da solar (geração firme ou de base), contribuindo para a resiliência das redes locais e fomentando a economia circular em regiões rurais e industriais.

A Nova Fronteira: Armazenamento e Geração Coletiva

O biênio 2024-2025 foi marcado por um volume sem precedentes de novas conexões, superando a marca de 1,5 milhão de unidades. Contudo, o grande diferencial para 2026 reside na integração tecnológica. O setor começa a abraçar o conceito de “atrás do medidor” (behind-the-meter) com maior intensidade, especialmente com o uso de sistemas de armazenamento por baterias (BESS).

O presidente da ABGD ressalta que o foco do mercado está evoluindo para além da simples instalação de painéis, visando uma gestão mais inteligente da carga, “Apenas em 2024 e 2025, o país registrou mais de 1,5 milhão de novas conexões. Para 2026, além da expansão da potência instalada, a expectativa é de avanço tecnológico, maior integração com sistemas de armazenamento na carga (baterias junto aos consumidores) e ampliação de modelos coletivos, como condomínios solares.”

Essa tendência de armazenamento é vista por especialistas como a solução para os desafios de inversão de fluxo em subestações e para a maximização do autoconsumo, permitindo que o consumidor utilize sua própria energia em horários de ponta, aliviando o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Benefícios Sistêmicos e a Validação Acadêmica

Um dos pontos de maior debate no setor elétrico diz respeito aos custos e benefícios da GD para os demais consumidores. Em 2025, o debate ganhou profundidade técnica com estudos coordenados por especialistas da USP, que quantificaram as externalidades positivas do modelo. Os resultados apontam que a geração junto à carga reduz significativamente as perdas técnicas de transporte de energia e posterga a necessidade de investimentos vultosos em novas linhas de transmissão.

Carlos Evangelista enfatiza que esses ganhos são estruturais e contribuem para a saúde financeira e operacional do setor. “Além de ampliar o acesso à energia renovável, a geração distribuída traz benefícios econômicos e sistêmicos relevantes, como a redução de perdas na rede elétrica, a postergação de investimentos em transmissão e distribuição, a geração de empregos locais e qualificados e a atração de capital privado, sem onerar o Estado, com efeitos positivos para a modicidade tarifária no médio e longo prazo, tudo isso mostrado em um estudo detalhado e aprofundado desenvolvido em 2025, coordenado por consultores especialistas da USP.”

Desafios para 2026: Regulação e Infraestrutura

Apesar do otimismo, o setor de GD entra em 2026 atento às discussões sobre o aprimoramento das redes de distribuição e a garantia de acesso para novos projetos. A necessidade de digitalização das redes (Smart Grids) e a transparência nos processos de solicitação de acesso junto às distribuidoras continuam no topo da agenda prioritária.

Ao projetar os desafios de 2026, Evangelista pondera que o avanço tecnológico deve vir acompanhado de solidez normativa. “Estamos falando de um modelo que combina energia limpa, desenvolvimento econômico e benefícios diretos à população. As perspectivas para 2026 são positivas, desde que haja previsibilidade regulatória, segurança jurídica e investimentos na infraestrutura da rede.”

Com 21 milhões de brasileiros já beneficiados e uma cadeia produtiva consolidada, a geração distribuída encerra o ciclo de 2025 não apenas como uma alternativa de economia, mas como uma peça-chave da segurança energética e da transição para uma economia de baixo carbono no Brasil.

Font

O Ministério de Minas e Energia (MME) iniciou a Consulta Pública nº 210, com o objetivo de estabelecer regras claras para a compensação financeira de geradores de energia eólica e solar fotovoltaica afetados por restrições de operação, conhecidas como curtailment, no Sistema Interligado Nacional (SIN). A medida visa fortalecer o ambiente de investimentos, reduzir prejuízos e conferir maior previsibilidade ao setor de energias renováveis no Brasil.

A iniciativa, anunciada em 31 de dezembro de 2025, busca submeter à sociedade a minuta de um Termo de Compromisso que detalha os critérios para o ressarcimento dos agentes. O MME enfatiza que a solução proposta busca um equilíbrio entre a segurança jurídica para os investidores e a ausência de custos excessivos para os consumidores.

 

Alinhamento Legal e Estrutura de Compensação

A proposta está diretamente ligada à Lei nº 15.269/2025, que instituiu um mecanismo de transação administrativa para lidar com o passivo acumulado desde setembro de 2023, período em que os cortes de geração começaram a impactar significativamente o setor. O objetivo é organizar o processo de compensação com regras transparentes, previsíveis e compatíveis com a realidade operacional do sistema elétrico brasileiro.

A Consulta Pública nº 210 também se aprofunda na diferenciação das situações passíveis de compensação, buscando distinguir eventos de restrição sistêmica daqueles decorrentes de questões técnicas específicas. O debate público é considerado essencial para o aperfeiçoamento do modelo proposto, com a participação de agentes do setor, instituições financeiras e demais interessados.

 

Impacto no Financiamento e na Cadeia Produtiva

Além do aspecto regulatório, a medida possui um impacto financeiro e industrial relevante. Ao endereçar o ressarcimento, o MME atua para mitigar os impactos sobre o financiamento de projetos de geração renovável, muitos dos quais possuem contratos de crédito junto a bancos públicos, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Neste sentido, a ação reforça a integração entre a política energética, o crédito público e a política industrial, em diálogo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A proteção dos investimentos em energias renováveis é vista como um estímulo à cadeia industrial associada, fomentando empregos, inovação e desenvolvimento tecnológico no país.

Aspecto AbordadoObjetivo da MedidaBeneficiários Principais
Curtailment (Cortes de Geração)Reduzir prejuízos e dar previsibilidade.Geradores Eólicos e Solares.
Segurança JurídicaEstabelecer critérios claros de ressarcimento.Investidores e Agentes do Setor.
Financiamento de ProjetosAliviar a pressão sobre contratos de crédito.Bancos Públicos (ex: BNDES) e Empreendedores.
Cadeia IndustrialFortalecer o setor, estimulando empregos e inovação.Indústria de equipamentos e serviços.

 

Próximos Passos

As contribuições para a Consulta Pública podem ser enviadas até o dia 16 de janeiro, exclusivamente por meio do portal de Consultas Públicas do MME. A documentação completa, incluindo a Nota Técnica nº 10/2025/DPME/SNEE e a minuta do Termo de Compromisso, está disponível na página oficial da consulta.

05 de Janeiro de 2026 – Conforme previsto na Lei nº 14.300, ocorre o aumento gradual da cobrança do Fio B no sistema de compensação da geração distribuída. Em 2026, a regra de transição estabelece a compensação de 40% do Fio B.

Essa redução progressiva na compensação já considerava um fator essencial de equilíbrio a favor do consumidor: a queda consistente nos preços dos módulos solares e dos equipamentos fotovoltaicos.

Nos últimos anos, o custo dos sistemas de energia solar no Brasil apresentou reduções significativas, tornando a tecnologia mais acessível. Essa tendência de barateamento compensa o aumento da tarifa de uso da rede, mantendo o tempo de retorno do investimento (payback) altamente atrativo.

Na prática, o valor adicional pago na tarifa de distribuição em 2026 é amplamente absorvido pela economia obtida na aquisição de sistemas solares hoje muito mais baratos do que há dois ou três anos.

Investir em energia solar em 2026 segue sendo uma decisão estratégica e economicamente inteligente. Além de oferecer proteção contra os reajustes recorrentes da energia convencional, a tecnologia proporciona previsibilidade de custos, autonomia energética e valorização do patrimônio, com um custo de entrada cada vez menor.

Mesmo com as mudanças regulatórias, a economia real no bolso do consumidor permanece sólida, sustentada pela evolução tecnológica e pela maturidade do mercado solar no Brasil.

O relatório “InfoMercado Quinzenal – 362 – 2ª Edição – Nov/25” da CCEE, que analisa os dados de 01 a 30 de novembro de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, revela informações cruciais sobre a geração e o consumo de energia elétrica no Brasil.

  1. Variação da Geração por Fonte

A análise da geração total no Sistema Interligado Nacional (SIN) aponta para uma queda estimada de -2,2% no período. No entanto, o desempenho das fontes renováveis e térmicas foi misto, com destaque para o crescimento da solar e térmica.

Fonte de GeraçãoVariação Anual (Nov/25 vs. Nov/24)
Térmicas+18,6%
Fotovoltaicas (Solar)+11,1%
Eólicas+8,1%
Hidráulicas-10,1%

 

  1. Variação do Consumo de Energia Elétrica

O consumo total de energia elétrica no SIN apresentou uma queda de -1,8%, influenciado por temperaturas máximas mais amenas em grande parte do país.

Ambiente de ContrataçãoVariação Anual (Nov/25 vs. Nov/24)
Consumo Total (SIN)-1,8%
Ambiente de Contratação Livre (ACL)-2,7%
Ambiente de Contratação Regulada (ACR)-1,1%

 

  1. Variação do Consumo por Ramo de Atividade

O relatório também detalha o desempenho do consumo por setores, mostrando tendências de queda em serviços e veículos, e alta em setores ligados à extração e transporte.

 

Ramo de AtividadeVariação Anual (Nov/25 vs. Nov/24)
Maiores Quedas
Serviços-12,9%
Veículos-11,2%
Madeira, papel e celulose-8,5%
Maiores Altas
Extração de minerais metálicos+11,4%
Transporte+2,1%
Saneamento+1,6%

 

  1. Variação do Consumo por Região (Estados Selecionados)

A análise regional do consumo também revela grandes disparidades, com alguns estados apresentando forte crescimento e outros, quedas acentuadas.

Região/EstadoVariação Anual (Nov/25 vs. Nov/24)
Maiores Altas
Acre+16,6%
Mato Grosso+8,7%
Pará+6,7%
Distrito Federal+5,8%
Goiás+5,0%
Maiores Quedas
Paraná-10,0%
Mato Grosso do Sul-7,9%
Rio Grande do Sul-7,7%
Santa Catarina-7,3%
Amapá-6,0%

Além disso, o relatório menciona que Roraima registrou a segunda medição para o ACR, com 167 MW médios.

Estes dados fornecem um panorama completo do desempenho do setor elétrico brasileiro em novembro de 2025, destacando a importância da energia solar e as tendências de consumo no país.

Fonte: https://www.ccee.org.br/dados-e-analises/mercado-quinzenal