Movimento Solar Livre

A Coalizão Solar MSL vem consolidando, em todo o Brasil, um novo modelo de atuação no setor energético: mais do que representatividade, trata-se de participação ativa no desenvolvimento econômico, tecnológico e social do país.

Esse movimento ganha força em Santa Catarina, onde a Frente Catarinense de Geração Distribuída, por meio de seu diretor técnico, Jorge Lewis, integra e fortalece iniciativas estratégicas de inovação e integração do setor.

 

Avanço da inovação energética

A atuação da Frente Catarinense reflete um novo momento da geração distribuída no Brasil. Não se trata apenas de defender o setor, mas de participar diretamente da construção de soluções que impactam a sociedade.

Nesse contexto, no dia 09 de abril de 2026, foi realizado o Workshop de Planejamento Estratégico da API de Energias, reunindo atores-chave do ecossistema local. A partir dessa iniciativa, Jorge Lewis foi convidado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a integrar um projeto estruturante para o município de Florianópolis: a criação de uma API de Energia, desenvolvida em parceria com a prefeitura.

 

API de Energia: conexão entre mercado, tecnologia e desenvolvimento

A proposta da API de Energia vai além de um projeto técnico. Trata-se da construção de um ecossistema ativo de inovação, com o objetivo de fortalecer o setor energético local e ampliar sua competitividade.

O modelo busca integrar diferentes atores estratégicos:

  • Startups e grandes empresas
  • Ideias e fontes de financiamento
  • Universidades, pesquisadores e mercado
  • Poder público e setor produtivo

Essa conexão cria um ambiente favorável para o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas, geração de negócios e expansão da energia renovável.

Florianópolis como hub de inovação em energia

Florianópolis já é reconhecida como um dos principais polos tecnológicos do Brasil. Agora, o município avança para consolidar a energia, especialmente renovável, como um dos pilares estratégicos de desenvolvimento.

A iniciativa demonstra uma mudança clara de posicionamento: a energia deixa de ser apenas infraestrutura e passa a ser tratada como vetor de inovação, crescimento econômico e geração de oportunidades.

 

Geração distribuída como protagonista

A participação da Frente Catarinense nesse processo reforça o papel da geração distribuída dentro dessa nova dinâmica.

Ao integrar discussões estratégicas e ambientes de inovação, o setor passa a:

  • Influenciar decisões estruturantes
  • Conectar tecnologia e mercado
  • Ampliar oportunidades para empresas e integradores
  • Fortalecer sua relevância econômica e social

Como destacou Jorge Lewis durante sua participação no evento, o trabalho está apenas começando, mas já aponta para um cenário de geração de oportunidades para empresas e empresários do estado.

 

Um novo modelo de desenvolvimento energético

O que está acontecendo em Santa Catarina é um reflexo direto da atuação coordenada da Coalizão Solar em nível nacional.

As frentes estaduais deixam de atuar apenas de forma reativa e passam a ocupar espaços estratégicos de construção de políticas, inovação e desenvolvimento.

 

A iniciativa em Florianópolis mostra, na prática, como a articulação entre setor produtivo, academia e poder público pode acelerar o desenvolvimento da energia no Brasil.

A Coalizão Solar, por meio da Frente Catarinense de Geração Distribuída, reforça que o setor está preparado para assumir um papel ainda mais relevante:

  • não apenas como solução energética, mas como motor de inovação, crescimento e transformação do país.

O futuro da energia no Brasil já está sendo construído, e a geração distribuída está no centro desse movimento.

Ex-tarifário de inversores solares: o que mudou e por que isso importa

A publicação da nova lista de ex-tarifários para inversores solares trouxe, à primeira vista, um sinal positivo: 62 códigos com imposto reduzido. No entanto, uma análise mais aprofundada revela um cenário preocupante para o avanço da energia solar, especialmente no segmento residencial.

A medida, oficializada pela Resolução GECEX nº 871, passou a valer em 1º de abril e redefine quais equipamentos terão redução tributária, e quais continuarão sujeitos à alíquota cheia de 20%. Na prática, essa lista impacta diretamente o custo de sistemas fotovoltaicos no Brasil.

Redução drástica de equipamentos beneficiados

Um dos pontos mais críticos é a forte redução no número de itens contemplados:

  • Em 2021: mais de 200 equipamentos com imposto reduzido
  • Em 2026: apenas 62 equipamentos

Isso representa uma queda superior a 70% em três anos, sem transição clara ou justificativa amplamente divulgada.

Foco em usinas e exclusão do consumidor residencial

A composição da nova lista evidencia uma priorização específica:

  • 54 inversores trifásicos (87%) – voltados para usinas e projetos comerciais
  • 4 inversores híbridos residenciais
  • 4 inversores monofásicos
  • 0 microinversores

Ou seja, enquanto grandes projetos seguem beneficiados, o consumidor residencial, que utiliza majoritariamente sistemas monofásicos e microinversores, fica praticamente desassistido.

Especificações técnicas levantam questionamentos

Outro ponto que chama atenção é a escolha de potências pouco comuns nos inversores monofásicos incluídos:

  • 7,3 kW
  • 9,1 kW
  • 10,5 kW

Essas faixas não representam o padrão mais difundido no mercado global, o que levanta dúvidas sobre os critérios técnicos utilizados na definição dos códigos.

O modelo de funcionamento do ex-tarifário contribui para esse cenário: cada código nasce a partir de um pedido individual, com especificações detalhadas do produto. Isso pode resultar em descrições altamente específicas, alinhadas a determinados equipamentos.

Microinversores fora da lista: impacto direto na segurança e custo

A exclusão total dos microinversores é um dos pontos mais sensíveis.

Essa tecnologia é amplamente utilizada em sistemas residenciais e reconhecida por operar com tensões mais baixas, sendo associada a padrões de segurança recomendados em instalações em telhados.

Mesmo assim, todos os microinversores passam a ser tributados com 20%, sem exceção.

A justificativa está na classificação de “produção nacional equivalente”, baseada na existência de um modelo nacional. No entanto, essa equivalência considera apenas a função básica do equipamento, sem aprofundar diferenças técnicas relevantes como potência, eficiência ou número de entradas.

Contradições no avanço do armazenamento (BESS)

O cenário se torna ainda mais complexo quando analisado junto ao armazenamento de energia.

Apesar da sanção recente do marco legal de baterias (BESS), reconhecendo o setor como estratégico, houve aumento da tributação desses sistemas. Além disso, a nova lista praticamente não contempla soluções voltadas a armazenamento em escala comercial ou utilitária.

Isso cria um desalinhamento entre política pública e prática regulatória.

Comparação internacional

Quando comparado a outros mercados:

  • Austrália: tarifa zero
  • União Europeia: entre 0% e 2,7%
  • EUA: tarifas com compensações fiscais
  • Índia: tarifas com subsídios diretos

O Brasil adota uma alíquota de 20% sem incentivos complementares, o que pode impactar a competitividade e a expansão da energia solar.

Impacto direto no consumidor

Na prática, o cenário atual gera um efeito claro:

  • Equipamentos para usinas → maior acesso a incentivos
  • Equipamentos residenciais → maior carga tributária

Isso pode elevar o custo de sistemas menores, dificultando o acesso à energia solar para residências e pequenos negócios.

Transparência e equilíbrio como próximos passos

O debate não se resume à proteção da indústria nacional, mas à forma como isso é feito.

Especialistas do setor apontam que políticas industriais podem ser mais eficazes quando combinam incentivos diretos à produção com transparência nos critérios de decisão, evitando impactos negativos ao consumidor final.

O novo ex-tarifário redefine o cenário da energia solar no Brasil.
Embora mantenha benefícios para grandes projetos, levanta preocupações sobre acesso, competitividade e transparência no setor.

Mais do que uma lista técnica, trata-se de uma decisão que influencia diretamente o futuro da geração distribuída no país.

O Movimento Solar Livre/Coalizão MSL já estão atuando e trabalhando ativamente sobre esse tema.

Fonte: Bruno Barbosa – EnergyChannel

https://www.energychannel-br.co/post/novo-ex-tarif%C3%A1rio-62-inversores-parece-muito-at%C3%A9-voc%C3%AA-olhar-por-dentro-%C3%A9-constrangedor

O Brasil caminha para um período de reajustes contínuos e inevitáveis no preço da energia elétrica. Não é alarmismo — é uma convergência de fatores estruturais, hidrológicos e regulatórios que expõem fragilidades profundas no sistema elétrico nacional. Consumidores, indústrias e investidores precisam entender o que está por trás desse cenário e, principalmente, como se preparar.

Os dados que confirmam a trajetória de alta

A Fitch Ratings, em análise de março de 2026, elevou suas projeções para o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD): R$ 342/MWh para a região Sudeste/Centro-Oeste em 2026 e R$ 302/MWh para o Nordeste. Para 2027 e 2028, as curvas seguem ascendentes.

A ANEEL projeta tarifas médias 8% acima da inflação em 2026. O PLAN 2026-2030 da CCEE e do ONS aponta crescimento de carga de 3,8% ao ano, com o GSF (Fator de Sazonalização do Subsistema) abaixo de 0,85 — indicando um déficit hídrico superior a 15% no sistema.

Por que os preços não vão cair tão cedo?

Três fatores estruturais sustentam a pressão sobre as tarifas:

  • Hidrologia adversa: chuvas irregulares mantêm os reservatórios em níveis críticos, forçando o acionamento de termelétricas com custo muito mais elevado.
  • Despacho térmico crescente: tensões no cenário energético global e modelos operacionais do ONS que priorizam riscos hídricos agravam o ciclo de pressão sobre os preços.
  • Paradoxo renovável: mesmo com excesso de geração eólica e solar em alguns momentos, os curtailments (cortes de geração) e os reservatórios baixos mantêm o PLD em patamares altos.

O GSF deve permanecer abaixo de 0,90 até 2027. Com a expansão do Ambiente de Contratação Livre (ACL) para baixa tensão em 2027-2028, a demanda deve crescer sem oferta proporcional — ampliando ainda mais a volatilidade.

Precificação predatória: como o mercado livre contribuiu para a crise

Parte do problema decorre de práticas adotadas por algumas comercializadoras: vendas a preços muito abaixo do custo marginal real, com o objetivo exclusivo de ampliar carteira e conquistar escala. Essas empresas tratavam o PLD baixo como um piso artificial permanente, ignorando os riscos hidrológicos e o GSF.

Eduardo Rossi, diretor de Segurança do Mercado na CCEE, identifica crises gêmeas de liquidez e confiança creditícia, agravadas pela abertura do ACL. O resultado foi uma onda de insolvências e estresses financeiros, com players expostos a recompras forçadas e garantias elevadas. Um terço dos contratos vence em 2 a 6 anos, o que amplia as vulnerabilidades.

O impacto foi imediato: em fevereiro de 2026, as migrações para o mercado livre caíram 52%. O que se vendia como barganha virou armadilha para consumidores e instabilidade para o setor.

Como se proteger: estratégias para consumidores e empresas

Diante desse cenário, algumas ações são essenciais:

  • Geração distribuída própria: investir em autoprodução solar — especialmente no Nordeste — é uma das formas mais eficazes de blindar a conta de energia.
  • Contratos com cláusulas de risco: ao migrar para o mercado livre, exija cláusulas que protejam contra variações extremas do PLD.
  • Hedge via forwards BBCE: instrumentos financeiros de proteção contra volatilidade de preços são cada vez mais relevantes para grandes consumidores.
  • Monitoramento do GSF e do PLD: acompanhar os indicadores do setor permite decisões mais estratégicas sobre contratação e consumo.

O setor amadurece, mas o preço da miopia é alto

O mercado de energia elétrica brasileiro está em um processo acelerado de maturação — mas quem ignorar os sinais pagará caro por isso. A combinação de fatores hídricos, regulatórios e de mercado cria um ambiente de alta persistente que exige planejamento, proteção e, acima de tudo, informação.

A geração distribuída nunca foi tão estratégica. Quem se antecipar, sai na frente.

Fonte: EnergyChannel | Arthur Oliveira

https://www.energychannel-br.co/post/altas-sucessivas-nos-pre%C3%A7os-da-energia-um-cen%C3%A1rio-inevit%C3%A1vel

O setor de energia solar no Brasil está entrando em uma nova fase, mais organizada, técnica e estratégica.

Em reunião liderada pelo presidente da Frente Mineira de Geração Distribuída, Jomar Britto de Oliveira, com membros de sua diretoria e o presidente do CREA-MG, Marcos Gervásio, e o gerente de fiscalização, Nicolau Damasceno, foi dado um passo decisivo para o fortalecimento do setor.

O encontro teve como objetivo formalizar a união entre a Frente Mineira de Geração Distribuída (FMGD) e o CREA-MG, com foco no enfrentamento das barreiras sistemáticas impostas pela Cemig ao mercado de energia solar.

A reunião foi marcada por um tom de urgência e posicionamento técnico, com relatos preocupantes de fechamento de empresas e aumento da insegurança jurídica no setor. O cenário evidencia desafios relevantes, especialmente relacionados a barreiras operacionais que impactam diretamente o avanço da geração distribuída.

Barreiras técnicas e entraves no setor

Durante o encontro, foram relatadas dificuldades impostas por concessionárias, com destaque para a Cemig, que estariam limitando o crescimento da geração distribuída.

Entre os principais pontos discutidos estão:

• Restrição de acesso de engenheiros a sistemas técnicos
• Questionamentos sobre procurações legais
• Uso recorrente do argumento de inversão de fluxo para barrar projetos
• Falta de responsabilidade técnica em pareceres automatizados

Esses fatores têm gerado insegurança jurídica e até o fechamento de empresas do setor, segundo relatos apresentados na reunião.

Criação de comitê marca avanço institucional

Como resposta, foi definida a criação de um Comitê Permanente de Transparência da Geração Distribuída, com o objetivo de atuar como ponte entre o setor, órgãos reguladores e instituições públicas.

O comitê terá papel estratégico, incluindo:

• Mediação de conflitos
• Ampliação da transparência da rede elétrica
• Defesa da responsabilidade técnica
• Articulação com Ministério Público e Legislativo

A iniciativa representa um avanço concreto na organização institucional do setor e reforça a importância da atuação coordenada.

Fiscalização e valorização da engenharia

Outro ponto de destaque é a atuação firme do CREA-MG, que já realizou mais de 200 autos de infração relacionados à ausência de responsabilidade técnica em processos do setor elétrico.

Essa ação fortalece:

• A segurança dos projetos
• A qualidade técnica das instalações
• A valorização dos profissionais de engenharia

Um movimento que se espalha pelo Brasil

O cenário observado em Minas Gerais não é isolado. Em Roraima, a articulação entre lideranças locais resultou na aprovação da Lei Estadual 2337, voltada à transparência da capacidade da rede elétrica.

Esses avanços mostram que o modelo das frentes estaduais, alinhadas ao Movimento Solar Livre, está se consolidando como um dos principais vetores de crescimento da geração distribuída no país.

Novos desafios: baterias e regulação

Além das questões atuais, o setor também debate temas estratégicos para o futuro, como:

• Regulação de sistemas com baterias
• Regras para inversores híbridos
• Impactos da tarifa branca

A ausência de definições claras ainda representa um desafio para a expansão da energia solar com armazenamento.

Uma nova fase para a geração distribuída

O que antes era uma atuação pontual se transforma em uma rede organizada, estratégica e cada vez mais eficiente.

A união entre frentes estaduais, conselhos profissionais e iniciativas como o Movimento Solar Livre está criando um ambiente mais sólido para o desenvolvimento da energia solar, com mais segurança jurídica e maior expansão da geração distribuída.

O Brasil começa a viver uma nova fase de maturidade na defesa do setor. Quando há união, propósito e base técnica, os resultados aparecem, e o avanço da energia solar se torna não apenas possível, mas inevitável.