Movimento Solar Livre

Yuri Venâncio Mendonça — Presidente da Frente Roraimense de Geração Distribuída

 

Nova legislação garante acesso a dados estratégicos da rede elétrica e fortalece investimentos em geração distribuída no estado

A sanção da Lei nº 2.337/2026 representa uma conquista relevante para o setor energético de Roraima, especialmente para a geração distribuída de fonte solar. A nova legislação estabelece a obrigatoriedade de divulgação semestral, por parte da concessionária de energia, de informações detalhadas sobre a capacidade operacional das subestações no estado.

A medida traz mais transparência, previsibilidade e segurança para consumidores, investidores e empresas que atuam no setor, criando um ambiente mais confiável para o desenvolvimento da energia limpa.

De acordo com a lei, a concessionária deverá disponibilizar dados técnicos consolidados, incluindo capacidade disponível para conexão, limites operacionais, percentual já comprometido e planejamento de expansão da rede.

Transparência que impulsiona decisões e reduz riscos

A disponibilização dessas informações em meio eletrônico de acesso público representa um avanço significativo para o mercado. Com acesso a dados atualizados e auditáveis, agentes do setor passam a ter maior clareza sobre onde e como investir, reduzindo riscos operacionais e ampliando a eficiência dos projetos.

Além disso, a lei fortalece o papel dos órgãos de defesa do consumidor e estabelece mecanismos de fiscalização, garantindo maior controle e confiabilidade nas informações divulgadas.

Uma conquista construída com articulação e visão de futuro

A aprovação da Lei nº 2.337/2026 é resultado de um trabalho conjunto entre setor produtivo e poder público. A Frente Roraimense de Geração Distribuída teve atuação ativa nesse processo, defendendo medidas que promovam o desenvolvimento do estado e a proteção de empregos no setor energético.

“Tive a honra, como Presidente da Frente Roraimense de Geração Distribuída, de contribuir nessa construção junto aos parlamentares, sempre defendendo o desenvolvimento do estado e a proteção de milhares de empregos.” — Yuri Mendonça

A iniciativa reforça a importância de políticas públicas alinhadas com a realidade do mercado e com a necessidade de expansão da geração distribuída no Brasil.

Mais dados, mais força para o setor

Embora não resolva todos os desafios estruturais, a nova legislação representa uma mudança significativa na forma como o setor opera em Roraima.

Com dados disponíveis, o mercado ganha capacidade de planejamento, aumenta sua competitividade e fortalece sua atuação.

Roraima dá um passo importante rumo a um ambiente mais justo, transparente e favorável à energia limpa.

Parceria entre setor produtivo, energia e governo impulsiona competitividade, sustentabilidade e crescimento econômico no estado

No dia 20 de março de 2026, a Frente Amapaense de Geração Distribuída (FAPGD), por meio de seu presidente, Inaldo Oliveira, participou de uma reunião estratégica com a CEA Equatorial Amapá, contando com o apoio direto do Governo do Estado do Amapá.

O encontro marcou um importante avanço nas pautas voltadas ao fortalecimento da produção local, consolidando a integração entre setor produtivo, setor energético e gestão pública como eixo central para o desenvolvimento sustentável do estado.

Fazenda Curupira se destaca como exemplo de produção local fortalecida

Entre os destaques da agenda, está o crescimento do empreendimento Fazenda Curupira, que vem desempenhando papel relevante no abastecimento do comércio amapaense. A iniciativa contribui diretamente com o fornecimento de hortaliças para grandes supermercados e diversos estabelecimentos alimentícios, fortalecendo a economia regional e reduzindo a dependência de insumos externos.

Energia e produção: base para um novo ciclo de desenvolvimento

Com o apoio da Equatorial Amapá, representada pelo gerente de relacionamento Jorgemiro Ferreira, e o suporte do vice-governador Teles Júnior, foram definidos avanços concretos em pilares estratégicos para o estado:

  • Expansão da produção local
  • Sustentabilidade energética
  • Redução de custos operacionais
  • Aumento da competitividade
  • Melhoria nos preços ao consumidor amapaense

A articulação demonstra como a energia, especialmente no contexto da geração distribuída, é um fator decisivo para viabilizar eficiência produtiva e crescimento econômico.

Integração estratégica impulsiona o futuro do Amapá

A atuação conjunta entre FAPGD, setor energético e governo evidencia um modelo de desenvolvimento baseado em planejamento, cooperação e visão de longo prazo.

Essa união fortalece não apenas a produção local, mas também posiciona o Amapá como um estado que avança com responsabilidade, inovação e compromisso com resultados concretos para sua população.

A FAPGD reconhece e agradece a todos os envolvidos por mais este importante passo rumo ao desenvolvimento sustentável do estado.

Análise: Projeções Tarifárias ANEEL 2026 e Impactos no Setor Solar

 

Contexto Geral: O Cenário Tarifário para 2026

O documento da ANEEL apresenta uma projeção de efeito médio tarifário de 8,0% para o Brasil em 2026. Este aumento é significativamente superior aos índices de inflação projetados para o período (IGP-M de 3,1% e IPCA de 3,9%), indicando uma pressão real de custos sobre o consumidor final.

A composição média da tarifa estimada para 2026 revela que o custo da energia e os encargos setoriais continuam sendo os maiores pesos:

  • Energia: 41,6% (R$ 353/MWh)
  • Distribuição: 30,9% (R$ 262/MWh)
  • Encargos Setoriais: 20,6% (R$ 175/MWh)
  • Transmissão: 6,9% (R$ 59/MWh)

 

Fatores de Aumento na Conta de Energia

O relatório detalha que o aumento de 8,0% é impulsionado principalmente por componentes regulatórios e financeiros, com destaque para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Principais Motivadores do Aumento:
  1. Encargos Setoriais (CDE): A proposta para 2026 totaliza R$ 52,7 bilhões, um impacto projetado de 4,6% nas tarifas. Um ponto crucial é que, a partir de 2026, a CDE-Uso incorpora a CDE-GD, o que altera a dinâmica de rateio desses custos.
  2. Componentes Financeiros: Os ajustes financeiros (CVA-Encargo CDE) contribuem com um aumento de 2,8%. Este efeito é parcialmente mitigado pela devolução de créditos de PIS/Cofins (-2,3%), mas o saldo a ser devolvido está diminuindo (restando R$ 9,8 bilhões para 2026/2027).
  3. WACC Regulatório: A ANEEL aumentou a taxa de remuneração do capital para distribuidoras (para 8,10%) e transmissoras/geradoras (para 8,00%). Isso eleva o custo reconhecido dos investimentos das empresas, pressionando as tarifas para cima.
  4. Revisões Tarifárias: Estão previstas 15 revisões tarifárias em 2026. Historicamente, essas revisões têm apresentado aumentos significativos na base de remuneração (65% a 85%), o que deve elevar o efeito médio Brasil.

 

Impactos no Setor de Energia Solar (Geração Distribuída)

O documento traz informações diretas e indiretas que afetam quem investe ou trabalha com energia solar fotovoltaica:

Impactos Diretos:
  • Nova Tarifa Branca: A ANEEL está discutindo a modernização da Tarifa Branca (CP 46/2025), com workshops realizados em 2026. A proposta inclui a aplicação automática para clientes de maior consumo. Para o setor solar, isso muda a lógica de compensação de créditos, pois a energia gerada em horários fora de ponta pode valer menos do que a consumida no horário de ponta, alterando o payback dos projetos.
Impactos Indiretos (Oportunidades):
  • Aumento da Atratividade: Como a tarifa de energia sobe acima da inflação (8,0% vs 3,1-3,9%), a viabilidade econômica da energia solar aumenta. O consumidor cativo sente um peso maior no bolso, o que acelera a decisão de migrar para a autoprodução (GD) para se proteger de reajustes reais.
  • Fim dos Créditos de PIS/Cofins: O relatório indica que os créditos de PIS/Cofins (que vinham segurando as tarifas nos últimos anos) estão acabando. Sem esse “amortecedor”, os reajustes futuros tendem a ser repassados integralmente ao consumidor, tornando a solar uma proteção ainda mais necessária.
  • Modicidade Tarifária via UBP: O uso de recursos de Uso de Bem Público (UBP) para reduzir tarifas em regiões da Sudam/Sudene (até 10,6% de desconto para residenciais) pode reduzir temporariamente o apelo da solar nessas localidades específicas em 2026, devido à queda artificial do preço da energia da distribuidora.

 

O cenário para 2026 é de tarifas mais caras, impulsionadas por encargos setoriais e pela necessidade de remunerar investimentos das concessionárias. Para o setor solar, embora haja desafios regulatórios (como a Nova Tarifa Branca e a discussão sobre a CDE-GD), o aumento real do custo da energia elétrica continua sendo o maior impulsionador para a venda de sistemas fotovoltaicos, consolidando a solar como uma ferramenta essencial de gestão de custos para o consumidor brasileiro.

Fonte de dados: ANEEL.

A Geração Distribuída: Pilar da Transição Energética Brasileira

O Brasil tem se destacado globalmente pela sua matriz energética predominantemente renovável, e a Geração Distribuída (GD), especialmente a solar fotovoltaica, é um dos principais motores dessa transformação. Milhões de consumidores brasileiros já produzem sua própria energia, contribuindo para a descentralização do sistema, a redução de perdas na transmissão e distribuição, a diminuição da pressão sobre grandes empreendimentos e a promoção do desenvolvimento local. A GD não é apenas uma fonte de energia; é um vetor de empoderamento do cidadão e de resiliência para o sistema elétrico nacional.

Um Desafio de Infraestrutura, Não das Renováveis

Recentemente, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, trouxe à tona a discussão sobre o curtailment — o corte da geração de energia renovável mesmo quando há potencial de produção — como justificativa para um possível “freio” na expansão dessas fontes. Para o Movimento Solar Livre, é crucial esclarecer: o curtailment é, em grande parte, um sintoma de gargalos na infraestrutura de transmissão e distribuição, e não um problema inerente à natureza das energias renováveis.

Dados recentes mostram que a redução da geração de energia (o que se convencionou chamar de curtailment) tem gerado perdas bilionárias, com volumes significativos de energia solar e eólica sendo desperdiçados . **É crucial ressaltar que, até o momento, este fenômeno tem sido aplicado majoritariamente a usinas de geração centralizada, não impactando diretamente a Geração Distribuída. Em 2025, o ONS apontou que a sobreoferta e as restrições na rede foram as principais causas desses cortes . Isso significa que a energia limpa, gerada com investimento privado e sem emissões, está sendo descartada por falta de capacidade do sistema em absorvê-la ou transportá-la.

Por Que “Frear” as Renováveis é um Retrocesso para a GD?

A proposta de “frear” as renováveis, como sugerido pelo ministro, representa um risco significativo para o avanço da Geração Distribuída e para os objetivos de sustentabilidade do país. A GD, por sua natureza, já contribui para aliviar a sobrecarga em pontos específicos da rede, ao gerar energia próxima ao consumo. Penalizar ou desincentivar essa modalidade seria um contrassenso, pois:

  • Desestimula o Investimento: Incertezas regulatórias e a percepção de que o governo pode limitar o crescimento do setor afastam investidores, prejudicando a criação de empregos e o desenvolvimento tecnológico.
  • Aumenta a Dependência de Fontes Menos Sustentáveis: Ao frear as renováveis, o país pode se ver obrigado a recorrer a fontes mais caras e poluentes em momentos de necessidade, contrariando a agenda global de descarbonização.
  • Ignora o Potencial de Soluções Locais: A GD, combinada com sistemas de armazenamento de energia em pequena escala (baterias residenciais e comerciais), pode oferecer soluções robustas para a estabilidade da rede, reduzindo a necessidade de grandes investimentos em transmissão.

Soluções para a Redução da Geração na Perspectiva da Geração Distribuída

Em vez de frear o avanço das renováveis, o Movimento Solar Livre defende que o foco deve ser em soluções que fortaleçam e integrem a Geração Distribuída ao sistema elétrico de forma inteligente e eficiente:

  1. Modernização e Expansão da Rede: É imperativo acelerar os investimentos em linhas de transmissão e distribuição, garantindo que a infraestrutura acompanhe o crescimento da geração renovável. A Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) e as “Temporadas de Acesso” (Consulta Pública nº 217/2026) devem ser implementadas de forma a priorizar a eficiência e a integração das fontes descentralizadas.
  1. Incentivo ao Armazenamento de Energia: O anúncio do primeiro leilão de baterias (LRCAP 2026) é um passo positivo. No entanto, é fundamental que políticas de incentivo se estendam também ao armazenamento em pequena escala, permitindo que consumidores e geradores distribuídos instalem baterias para gerenciar sua própria energia, absorvendo excedentes e injetando-os na rede quando necessário.
  1. Mecanismos de Compensação Justos: Quando a redução da geração é inevitável devido a restrições do sistema, é essencial que existam mecanismos de compensação justos para os geradores, especialmente para a GD, que muitas vezes opera com margens mais apertadas. A responsabilidade pelos gargalos não deve recair sobre quem investe em energia limpa.
  1. Estabilidade Regulatória: O setor de Geração Distribuída precisa de um ambiente regulatório estável e previsível. Mudanças abruptas ou a sinalização de restrições podem minar a confiança dos investidores e frear um setor que tem demonstrado grande potencial de crescimento e contribuição para o país.

O Sol e o Vento São Nossos Aliados, Não Inimigos (e a Geração Distribuída é a Solução!)

A redução da geração é um desafio real, mas sua solução passa pela inteligência e modernização do sistema elétrico, e não pela limitação das fontes que representam o futuro da energia. A Geração Distribuída é uma força motriz para a transição energética brasileira, e o Movimento Solar Livre continuará a defender políticas que valorizem o potencial do sol e do vento, garantindo que o Brasil continue a ser um líder em energia limpa e sustentável. É hora de acelerar as soluções, e não frear o progresso.