Movimento Solar Livre

Brasília, 18 de março de 2026 – O setor de energia solar na Bahia deu um passo importante rumo à maturidade: a Associação Baiana de Energia Solar Fotovoltaica (ABS) lançou o Censo ABS 2026, uma iniciativa que pretende mapear com precisão a realidade do mercado no estado.

Mais do que um levantamento estatístico, o censo revela um ponto crítico para o setor:
a necessidade de entender profundamente o mercado para tomar decisões estratégicas mais assertivas.

Um mercado em crescimento — mas ainda sem dados consolidados

Apesar do avanço expressivo da geração distribuída, ainda há lacunas relevantes de informação sobre o setor solar na Bahia.

Atualmente, estima-se que existam entre 2 mil e 2,5 mil empresas atuando no segmento, mas sem dados consolidados sobre:

  • perfil das empresas

  • geração de empregos

  • estrutura técnica

  • volume de investimentos

Mesmo com essas incertezas, os números mostram a força do mercado:

  • cerca de 2,3 GW de geração distribuída instalada

  • aproximadamente 260 mil sistemas fotovoltaicos em operação

Ainda assim, menos de 5% das unidades consumidoras do estado possuem geração própria, o que indica um enorme potencial de crescimento.

Para o presidente da ABS, Marcos Rêgo, o Censo será um marco para o segmento no Brasil. “O Censo ABS 2026 será um projeto pioneiro e uma ferramenta fundamental para entendermos com precisão o tamanho, a força e as demandas do setor fotovoltaico baiano. Não existe no país hoje um panorama estadual do setor como existe, por exemplo, na já consolidada pesquisa nacional da Greener. Precisamos de dados sólidos para ampliar nossa representatividade e fortalecer o diálogo com o poder público e investidores”, afirma. “Além disso, discutir os impactos da Reforma Tributária é essencial para que as empresas estejam preparadas e possam manter a competitividade.”

Conhecer o mercado deixou de ser diferencial — é necessidade

O lançamento do Censo ABS 2026 reforça um ponto central para empresas do setor:

não basta estar em um mercado em expansão.
É preciso entender como ele funciona.

Sem dados estruturados, decisões importantes passam a ser tomadas com base em percepções limitadas, o que pode gerar:

  • erros estratégicos

  • perda de competitividade

  • aumento de custos

  • dificuldade de posicionamento

Empresas que dominam o seu mercado conseguem antecipar movimentos, ajustar estratégias e capturar oportunidades antes dos concorrentes.

Desafios estruturais exigem leitura de cenário

O setor solar brasileiro entra em uma nova fase, marcada por desafios que exigem mais do que crescimento — exigem estratégia.

Entre os principais pontos de atenção estão:

Limitações da infraestrutura elétrica

Problemas na rede de transmissão têm gerado situações de curtailment, com cortes na geração de usinas devido à falta de capacidade de escoamento.

Integração com novas tecnologias

O avanço do setor passa pela incorporação de soluções como:

  • armazenamento de energia (BESS)

  • mobilidade elétrica

  • sistemas inteligentes de gestão energética

Necessidade de planejamento de longo prazo

O crescimento sustentável do setor depende de investimentos em infraestrutura e políticas públicas mais estruturadas.

Reforma tributária: um novo fator de impacto no setor

Outro ponto crítico é a reforma tributária, que começa a ser implementada gradualmente nos próximos anos.

Empresas do setor, especialmente as enquadradas no Simples Nacional, ainda buscam entender como as mudanças — com a criação do IBS e da CBS — podem impactar:

  • custos operacionais

  • margens de lucro

  • estratégias comerciais

Sem planejamento tributário adequado, há risco de aumento de custos ao longo de toda a cadeia produtiva.

O papel estratégico do Censo ABS 2026

Mais do que um levantamento de dados, o Censo ABS 2026 tem um papel estratégico para o setor.

As informações coletadas servirão como base para:

  • construção de políticas públicas

  • defesa de interesses do setor junto ao Congresso

  • melhoria do ambiente regulatório

  • fortalecimento da segurança jurídica

A participação dos integradores e empresas é essencial para garantir que os dados reflitam a realidade do mercado.

Bahia: potencial para liderar a transição energética no Brasil

Apesar dos desafios, a Bahia se posiciona como um dos estados com maior potencial energético do país.

Fatores como:

  • alto índice de radiação solar

  • disponibilidade de áreas

  • crescimento da geração distribuída

colocam o estado em posição estratégica na transição energética e no desenvolvimento da economia verde.

Vantagem competitiva nasce do conhecimento de mercado

O movimento liderado pela ABS deixa uma lição clara para o setor solar:

quem não conhece o mercado em que atua, toma decisões no escuro.

Em um cenário cada vez mais complexo — com mudanças regulatórias, avanços tecnológicos e desafios estruturais —, a diferença entre crescer ou ficar para trás está na capacidade de:

  • interpretar dados

  • entender o cenário

  • antecipar movimentos

Porque, no final, vantagem competitiva não nasce apenas da tecnologia.

Ela nasce da capacidade de compreender o mercado antes dos outros.

Brasília, 13 de Março de 2026 – O Workshop Sinergia reuniu empresas, especialistas e lideranças do setor energético para discutir os rumos da geração distribuída e fortalecer o ecossistema de energias renováveis no Rio Grande do Norte. O encontro consolidou-se como um espaço estratégico de diálogo, troca de conhecimento e articulação entre os diferentes atores que impulsionam o crescimento do setor no estado.

Realizado pelo Polo Sebrae de Energias Renováveis, em parceria com a Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER) e com apoio da Neoenergia Cosern, o evento promoveu debates relevantes sobre temas centrais para o desenvolvimento do mercado de micro e minigeração distribuída (MMGD).

Entre os principais assuntos discutidos estiveram os desafios regulatórios, aspectos técnicos dos projetos, processos de faturamento e a jornada do cliente dentro do mercado de geração distribuída. Esses temas são fundamentais para garantir segurança, eficiência e sustentabilidade na expansão da energia solar e de outras fontes renováveis.

Além das discussões técnicas, o workshop também proporcionou um ambiente de networking e construção coletiva, conectando empresários, especialistas, representantes institucionais e profissionais do setor. A iniciativa reforça a importância da cooperação entre entidades, empresas e instituições para impulsionar o desenvolvimento das energias renováveis no estado e preparar o mercado para os próximos anos.

Eventos como o Workshop Sinergia demonstram o crescimento e a relevância do setor de geração distribuída no Nordeste, região que tem se destacado pelo forte potencial de geração solar e pela crescente adoção de sistemas de energia limpa.

Fonte: almirmacedo.blogspot.com

Embora o Marco Legal da Geração Distribuída (Lei 14.300/2022) tenha sido criado justamente para encerrar a disputa regulatória, a pressão política contra a GD voltou a crescer em 2026. Isso não acontece por um único motivo, mas por quatro fatores estruturais no setor elétrico brasileiro.

1. Crescimento acelerado da geração distribuída

O primeiro fator é simples: a geração distribuída cresceu muito mais rápido do que o previsto.

Nos últimos anos:

  • o Brasil ultrapassou milhões de sistemas solares instalados

  • a potência instalada da GD cresceu de forma exponencial

  • a fonte solar passou a dominar quase toda a expansão da micro e minigeração

Esse crescimento altera a lógica tradicional do sistema elétrico, historicamente baseado em grandes usinas centralizadas.

Para parte do setor elétrico tradicional, isso gera preocupações sobre:

  • modelo de remuneração das redes

  • queda no consumo faturado pelas distribuidoras

  • mudanças na dinâmica do mercado de energia

2. Pressão sobre as tarifas de energia

Outro fator central é o aumento do peso da CDE nas tarifas de energia.

A Conta de Desenvolvimento Energético financia diversos subsídios no setor, incluindo:

  • tarifa social

  • subsídios regionais

  • sistemas isolados

  • carvão mineral

  • fontes incentivadas

Com o aumento desses custos, cresce também a pressão política para redistribuir encargos dentro do setor.

Nesse contexto, alguns agentes passaram a apontar a GD como parte do problema, argumentando que:

  • consumidores com geração própria pagariam menos pela rede

  • parte do custo da infraestrutura seria redistribuído para quem não tem geração solar

Esse argumento tem forte impacto político, especialmente em debates sobre tarifa de energia e custo para a população.

3. Disputa econômica dentro do setor elétrico

A geração distribuída também altera interesses econômicos tradicionais do setor.

Historicamente, o sistema elétrico brasileiro foi estruturado em torno de três grandes pilares:

  • grandes geradoras

  • transmissoras

  • distribuidoras

A GD muda essa lógica porque:

  • a energia passa a ser gerada próxima ao consumo

  • consumidores passam a ser também produtores de energia

  • o fluxo de energia na rede se torna mais descentralizado

Isso reduz parte do crescimento esperado da demanda das distribuidoras e cria tensões entre modelos centralizados e descentralizados de geração.

4. Novo ciclo político no Congresso

O quarto fator é político.

Com a renovação das presidências das comissões no Congresso, especialmente na Comissão de Minas e Energia, o debate sobre custos do setor elétrico voltou à pauta.

Alguns parlamentares defendem:

  • redução de subsídios

  • revisão de encargos setoriais

  • redistribuição de custos entre consumidores

Nesse ambiente político, a geração distribuída acaba sendo frequentemente colocada no centro do debate, mesmo após a aprovação do marco legal.

O que está realmente em jogo

O debate atual não é apenas sobre tarifas.

O que está em jogo é qual modelo energético o Brasil seguirá nas próximas décadas:

Modelo tradicional

  • grandes usinas centralizadas

  • energia transportada por longas distâncias

  • forte concentração no sistema elétrico

Modelo emergente

  • geração distribuída

  • energia próxima ao consumo

  • digitalização da rede

  • integração com mobilidade elétrica e armazenamento

A expansão da energia solar distribuída representa uma mudança estrutural nesse modelo.

O papel da geração distribuída na transição energética

Apesar das disputas regulatórias, a GD continua sendo um dos pilares da transição energética no Brasil.

Entre seus principais benefícios estão:

  • diversificação da matriz elétrica

  • geração de energia próxima ao consumo

  • redução de perdas na rede

  • estímulo à inovação tecnológica

  • criação de empregos locais

Além disso, a geração distribuída fortalece um conceito cada vez mais relevante no mundo: segurança energética.

Quanto mais descentralizado for o sistema, menor a vulnerabilidade a crises, falhas ou choques externos.

Conclusão

A pressão política sobre a geração distribuída em 2026 reflete uma disputa natural em períodos de transformação tecnológica.

O setor elétrico brasileiro está passando por uma transição estrutural, na qual modelos tradicionais convivem com novas formas de geração e consumo de energia.

O grande desafio será construir um equilíbrio regulatório que:

  • preserve a sustentabilidade econômica do sistema elétrico

  • mantenha a segurança jurídica para investidores

  • e permita a continuidade da expansão das fontes renováveis no país.

Brasília, 11 de Março de 2026 – Os apagões têm se tornado uma realidade cada vez mais frequente na vida dos brasileiros. Interrupções no fornecimento de energia vêm impactando residências, comércios e indústrias em diversas regiões do país, gerando prejuízos financeiros e aumentando a preocupação com a segurança energética.

Diante desse cenário, cresce o interesse por soluções que garantam fornecimento contínuo de eletricidade. Entre as alternativas disponíveis, a energia solar combinada com sistemas de armazenamento em baterias surge como a opção mais desejada pelos consumidores.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Descarbonize Soluções, 78% dos brasileiros afirmaram que investiriam em energia solar com baterias integradas para enfrentar apagões, caso o custo da tecnologia não fosse uma barreira.

Energia solar com baterias lidera preferência dos consumidores

Quando questionados sobre quais soluções adotariam para evitar os impactos das quedas de energia, os entrevistados apontaram:

  • 78% – Investir em energia solar com bateria integrada

  • 44,6% – Comprar baterias de armazenamento independentes da rede

  • 43,2% – Melhorar a instalação elétrica da residência

  • 28,6% – Comprar nobreak

Os dados indicam uma clara tendência: os consumidores buscam maior autonomia energética, reduzindo a dependência exclusiva da rede elétrica tradicional.

Apagões e falhas na rede preocupam consumidores

A pesquisa também investigou quais fatores os brasileiros acreditam estar por trás do aumento das quedas de energia no país.

Os principais motivos apontados foram:

  • 75% – Eventos climáticos mais intensos, como tempestades, ventos fortes e ondas de calor

  • 53,4% – Sobrecarga da rede elétrica devido ao aumento do consumo

  • 52,2% – Infraestrutura elétrica antiga ou com pouca manutenção

  • 35% – Crescimento urbano acelerado

  • 33,6% – Problemas de atendimento das distribuidoras

  • 33,6% – Acidentes ou obras próximas à rede elétrica

Esses fatores refletem desafios estruturais do sistema elétrico brasileiro, especialmente diante da crescente demanda por energia e do aumento de eventos climáticos extremos.

Autonomia energética ganha importância para consumidores e empresas

Para Patrick von Schaaffhausen, CEO da Descarbonize Soluções, o aumento da frequência dos apagões tem impulsionado a busca por soluções que garantam maior segurança energética.

Segundo ele, a combinação entre geração renovável e armazenamento pode representar uma alternativa eficiente para evitar prejuízos causados pelas quedas de energia.

“Os sistemas de armazenamento associados à energia solar representam uma alternativa viável para proteger consumidores contra interrupções inesperadas no fornecimento de energia”, afirma.

Ele destaca ainda que o setor comercial pode ser um dos mais beneficiados.

Restaurantes, supermercados e serviços dependem diretamente de energia elétrica para manter suas operações. Em alguns casos, a perda de energia pode significar perda de produtos, faturamento e clientes.

“Para determinados negócios, o investimento em baterias pode se pagar em apenas um único evento de apagão”, explica.

Energia solar com baterias deve crescer no Brasil

Apesar do interesse crescente, o custo ainda é apontado como o principal obstáculo para a adoção em larga escala de sistemas de armazenamento de energia.

No entanto, especialistas acreditam que a tendência global de redução de custos das baterias deve acelerar a adoção dessa tecnologia nos próximos anos.

Com isso, sistemas solares com armazenamento devem desempenhar papel cada vez mais importante na matriz energética brasileira, contribuindo para:

  • maior autonomia energética

  • redução de prejuízos causados por apagões

  • maior segurança no fornecimento de energia

Metodologia da pesquisa

O levantamento foi realizado pela Descarbonize Soluções com aproximadamente 500 brasileiros de todos os estados do país, incluindo homens e mulheres com idade superior a 18 anos e pertencentes a diferentes classes sociais.

A coleta de dados foi realizada em 11 de fevereiro de 2026, por meio de uma plataforma online de pesquisas.

Fonte: Henrique Hein | Canal Solar

https://canalsolar.com.br/consumidores-desejam-energia-solar-com-baterias-apagoes/