Movimento Solar Livre

São Paulo, 28 de Julho de 2025 – A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) determinou nesta segunda-feira (28) que 22 distribuidoras de energia de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul mantenham o plano de contingência atualizado para atendimento emergencial frente ao alerta climático previsto para os próximos dias nesses estados, caso se confirme. O objetivo é mobilizar a infraestrutura e evitar eventuais interrupções no fornecimento de energia. 

Segundo a agência, o plano deve conter no mínimo: esquemas de mobilização adicionais de equipes, devidamente treinadas e capacitadas para atuarem no caso de falhas no fornecimento de energia, além de procedimentos de interlocução com órgãos públicos (Defesa Civil e Corpo de Bombeiros) e autoridades locais no caso de situações climáticas severas e de eventuais acidentes causados em deslocamentos de carros de grande porte que porventura possam vir a tocar as redes de distribuição. 

A comunicação feita às distribuidoras e permissionárias tem caráter preventivo e, caso não seja observada, pode resultar em processo de fiscalização.

Leia abaixo a relação de distribuidoras que deverão apresentar o plano nos próximos dias:

Rio Grande do Sul:

  • CEEE-D
  • DEMEI
  • ELETROCAR
  • MUX ENERGIA
  • HIDROPAN
  • RGE
  • NOVA PALMA ENERGIA

Santa Catarina:

  • CELESC-DIS
  • COOPERALIANÇA
  • DCELT
  • EMPRESA FORÇA E LUZ JOÃO CESA
  • EMPRESA FORÇA E LUZ DE URUSSANGA

Paraná:

  • COCEL
  • COPEL-DIS
  • FORCEL

São Paulo:

ENERGISA SUL-SUDESTE

CPFL PAULISTA

CPFL PIRATININGA

CPFL SANTA CRUZ

EDP SP

ELEKTRO REDES S.A.

ENEL SP

Fonte : Agencia Infra

São Paulo, 28 de Julho de 2025 – O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta sexta-feira (25) que se o Congresso não aprovar a MP (Medida Provisória) 1.304/2025, que altera trechos de vetos derrubados pelo Legislativo no Marco Legal das Eólicas Offshore, o governo poderá judicializar o tema.

“Nós editamos uma medida provisória eliminando os pontos mais nevrálgicos que impactaram a conta de energia do povo brasileiro, e caso essa medida provisória não avance, nós podemos naturalmente, dentro do jogo democrático, judicializar”, disse o ministro em entrevista à CNN Brasil. “O que nós não podemos admitir é o acréscimo de custos adicionais que não respeitam o planejamento na conta de energia”, completou.

A medida
A nova MP substitui a contratação obrigatória das usinas termelétricas da Lei de Privatização da Eletrobras por PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), com contratação de 3 GW (gigawatts) de PCHs em 2026, em substituição às térmicas inflexíveis, podendo ser contratado mais 1,9 GW posteriormente, a depender do planejamento setorial.

A medida ainda instituiu um teto para a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que corresponderá ao orçamento do encargo em 2026.

No entanto, a MP enviada não trata de incentivos à geração termelétrica a carvão mineral no Sul e não editou a prorrogação por mais 20 anos das usinas do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas). Os itens foram vetados pelo presidente Lula do Marco Legal das Eólicas Offshore.

Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

São Paulo, 28 de Julho de 2025 – A possível retomada do horário de verão no Brasil, atualmente em análise pelo Governo Federal, pode representar mais do que um simples ajuste nos relógios: segundo avaliação da Thymos Energia, uma das principais consultorias especializadas em negócios do setor elétrico no país, a medida pode contribuir de forma estratégica para a otimização do uso das fontes renováveis durante os períodos de maior demanda por eletricidade.

De acordo com a empresa, embora os efeitos diretos sobre o consumo total de energia sejam limitados, o cenário atual de expansão da matriz elétrica com forte presença de solar fotovoltaica e eólica abre espaço para novas leituras sobre os impactos positivos da mudança no horário oficial.

“Continuar a gerar energia por mais uma hora contribuiria para mitigar, em parte, o início do segundo pico, que é das 19 e 22 horas, período em que as pessoas estão voltando do trabalho para suas casas e ligam simultaneamente diversos equipamentos elétricos”, afirma Mayra Guimarães, diretora de Regulação e Estudos de Mercado da Thymos Energia.

Nova matriz, novos benefícios

A avaliação da Thymos está ancorada na configuração atual da matriz elétrica brasileira, que passou por uma transformação expressiva nos últimos anos. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que a fonte solar fotovoltaica já representa 24,5% da matriz, com mais de 59 GW de capacidade instalada. Somente no primeiro semestre de 2025, foram acrescidos 5,1 GW ao sistema, de acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Esse crescimento robusto da solar, agora a segunda principal fonte de geração elétrica do país, cria condições mais favoráveis para o retorno do horário de verão, segundo a consultoria. A medida, que adiantaria os relógios em uma hora na maior parte do território nacional, poderia ampliar a coincidência entre o período de incidência solar e os horários de pico do consumo, promovendo um uso mais eficiente da energia gerada durante o dia.

“A geração de energia solar é uma fonte diurna e estratégica para atender ao pico de consumo que ocorre entre 13 e 17 horas”, destaca Mayra.

Convergência com a geração eólica

Além da solar, o horário de verão também poderia favorecer a integração da geração eólica. Atualmente, essa fonte responde por 13,9% da matriz elétrica nacional, com mais de 33 GW instalados. Seu melhor desempenho se dá no início da noite — exatamente o momento em que ocorre o segundo pico de demanda elétrica.

“O horário de verão ajudaria ainda para o maior aproveitamento da geração eólica, cujo melhor desempenho ocorre no começo da noite”, observa a executiva.

A adoção da mudança no horário, portanto, pode funcionar como um instrumento complementar de gestão da operação do sistema interligado, ao alinhar a curva de geração das fontes renováveis com o comportamento da demanda — especialmente em um cenário de crescente eletrificação, uso de equipamentos simultâneos e pressões sobre a confiabilidade da rede.

Mudança de paradigma desde a suspensão em 2019

O horário de verão foi suspenso no Brasil em 2019, sob o argumento de que seu impacto na economia de energia havia se reduzido devido à mudança no perfil de consumo e à menor dependência da iluminação artificial. À época, a geração solar era incipiente, com apenas 4 GW de capacidade instalada.

No entanto, como ressalta Mayra, o contexto energético brasileiro mudou consideravelmente nos últimos anos: “Em 2019, quando houve a decisão de não manter a diretriz aplicada desde 1931, a representatividade da geração solar no país era muito menor, com 4 GW de capacidade instalada, mas o cenário mudou. Hoje, trata-se da segunda fonte de geração mais abundante do país”, conclui.

Retomada em estudo pelo Governo Federal

A discussão sobre o retorno do horário de verão foi reaberta em 2023, motivada por debates sobre o uso racional da energia, segurança do sistema e modernização do setor. O Ministério de Minas e Energia (MME) já indicou que a decisão será baseada em estudos técnicos que consideram os impactos na operação do sistema, no consumo, na saúde da população e na economia.

A análise da Thymos Energia acrescenta um novo elemento a esse debate: a convergência entre o horário de verão e o melhor aproveitamento das fontes renováveis, alinhado com os objetivos de transição energética e eficiência no uso dos recursos.

 

São Paulo, 28 de julho de 2025 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor de R$1 bilhão para a Atlas Renewable Energy construir 11 usinas fotovoltaicas no município de Arinos, em Minas Gerais, informou o banco de fomento nesta segunda-feira, 28.

Previsto para entrar em operação no início de 2026, o complexo solar Draco terá capacidade instalada total de 505 megawatts em corrente alternada (MWac). O projeto também prevê a implantação de um sistema de transmissão associado, formado por uma subestação de 500 kV e uma linha de transmissão com aproximadamente 15 quilômetros de extensão.

“É um projeto que agrega um volume significativo de energia limpa e renovável à nossa matriz elétrica e atende às diretrizes de descarbonização da política industrial do governo do presidente Lula… A agenda verde está no centro da estratégia de atuação do banco”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em comunicado.

A previsão é que o complexo solar possa gerar cerca de 2.100 empregos na fase de implantação.

Foi anunciado no ano passado que o projeto mineiro da Atlas teria como consumidor de energia a V.tal, empresa de infraestrutura digital controlada pelo BTG e importante investidora em data centers no Brasil.

“O complexo solar Draco representa mais do que um investimento em energia solar, mas o compromisso da Atlas em suportar o desenvolvimento da indústria brasileira com base em energia sustentável, e marca nossa presença no setor de data centers”, afirmou Fabio Bortoluzo, diretor-geral da Atlas Renewable Energy no Brasil.

O projeto, que está sendo financiado com recursos do Finem e do Fundo Clima, está alinhado ao esforço do Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas (PNMC) para redução das emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: DA REUTERS