Movimento Solar Livre

Em um esforço estratégico para proteger os avanços da microgeração distribuída no Brasil, O MSL (Movimento Solar Livre) vem promovendo, em Brasília, uma série de encontros com parlamentares do setor energético. A mobilização se deve ao debate sobre a Medida Provisória 1300/2025 que promove uma reforma significativa no setor elétrico brasileiro e pode causar impacto da inversão de fluxo no segmento de micro e minigeração e impactar diretamente o modelo atual de compensação de energia gerada por pequenos produtores.

A MP 1.300/2025, aprovada no último dia 3 de setembro na Comissão Mista do Congresso, traz um dispositivo que representa um alto risco de insegurança jurídica para os consumidores que geram a própria energia renovável no país. Seria uma espécie de “cheque em branco” para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) impor modalidades tarifárias aos consumidores, incluindo a possibilidade de cobranças fixas — conhecidas como tarifa binômia.

Conforme o presidente do MSL, Heverton Martins, se faz necessário que sejam suprimidos dois parágrafos da MP 1300, o parágrafo 9 inciso 3º e o parágrafo 10º, que podem ampliar encargos sobre consumidores de alta tensão – além de comprometer a competitividade durante o processo de reindustrialização do país.

Os dispositivos criam um novo parágrafo 10 no artigo 3º da Lei nº 9.427/1996, segundo o qual “a Aneel poderá estabelecer critérios para os quais será compulsória a aplicação das modalidades tarifárias previstas no parágrafo 9º”.

Conforme o MSL, a supressão ou revisão desse trecho garantirá que a adoção das modalidades tarifárias continue sendo facultativa, preservando os direitos dos consumidores e assegurando a estabilidade regulatória necessária ao bom funcionamento do setor elétrico.

Fonte: Notícia Max

 

 

 

A Medida Provisória 1.300, que promove mudanças em regras do setor elétrico, está sendo alvo de revolta por parte de empresários e pequenos produtores de energia solar distribuída, aquela que é gerada comumente em telhados de residências e pequenos comércios. A expectativa é que a pauta seja apreciada nesta terça (16) na Câmara e na quarta (17), no Senado, para não caducar.

“Vai liquidar as empresas em 12 meses”, diz Hewerton Martins, empresário e consultor no ramo de energia solar, em conversa com esta Coluna. O texto da MP, segundo ele, dá carta branca para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) modificar compulsoriamente as tarifas que incidem sobre quem produz esse tipo de energia, sem passar por ritos como audiências públicas, tal qual é feito hoje.

O impacto pode ser estrondoso e desestimular as vantagens financeiras de quem gera energia em casa, reduzindo a economia em mais de 80%, calcula Martins.

MANIFESTO É PUBLICADO NO CEARÁ

Ligado à Fiec, o Sindienergia-CE, que congrega empresas do setor, lançou um manifesto contra um trecho da MP (parágrafo 10º) que teria, segundo a entidade, efeitos muito danosos para consumidores e empresas da solar.

“Isso nos alarma profundamente! Tal compulsoriedade afronta direitos básicos do consumidor, assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor, e tende a comprometer a segurança jurídica indispensável aos investimentos no setor elétrico. Ademais, abre espaço para discriminações indiretas entre consumidores de perfis semelhantes, especialmente em regiões mais vulneráveis, como o Nordeste, em contrariedade aos princípios da modicidade tarifária e da universalização do serviço público de energia elétrica”, destaca o texto, assinado pelo presidente da entidade, Luís Carlos Queiroz.

Caso o texto passe no Congresso no formato atual, ainda não está claro se o dispositivo afetará os consumidores que já possuem sistemas de produção ou apenas os futuros. No Ceará, atualmente, mais de 120 mil pontos, entre residências, comércios e outros, possuem painéis fotovoltaicos instalados. Os grandes parques produtores de energia solar não são afetados pela MP.

TRANSIÇÃO JUSTA

Lucas Melo, empresário que atua no Estado, sugere que o caminho responsável “é regular com previsibilidade e transição justa: eventualmente evoluir a estrutura tarifária, sim, mas com salvaguardas, gradualismo, valoração transparente dos serviços de rede e respeito aos contratos — não por ato compulsório”.

Ele aponta que a “Aneel e distribuidoras precisam se adaptar aos novos tempos: investir em rede, digitalização, medição inteligente, armazenamento e flexibilidade. Isso beneficia todos os consumidores, não apenas quem gera a própria energia”.

A polêmica ocorre em meio ao grave problema do “curtailment”, perda de energia causada pela falta de estrutura para escoamento em horários de pico. Segundo Lucas Melo, há uma tentativa de atribuir à Geração Distribuída a culpa pelo gargalo, quando, na verdade, trata-se de um problema estrutural, defende o empresário.

VEJA PROPOSTAS DO SINDIENERGIA-CE

“Alternativamente, caso não seja possível lograr a supressão em plenário, entendemos ser imprescindível que a redação do dispositivo seja revisada para incluir salvaguardas mínimas, de forma a condicionar a aplicação do parágrafo 10 às seguintes garantias essenciais:

  • Respeito a direitos já adquiridos e contratos firmados, nos termos da Lei nº 14.300/2022, vedando qualquer retroatividade prejudicial;
  • Obrigatoriedade de Análise de Impacto Regulatório (AIR), sem possibilidade de dispensa, para qualquer ato da ANEEL que imponha modalidades tarifárias compulsórias;
  • Consulta Pública ampla e transparente, com efetiva participação popular e institucional, antes de qualquer imposição de modalidade tarifária compulsória;
  • Transição gradual e mitigação de reajustes, com prazos adequados e limites que evitem aumentos tarifários abruptos aos consumidores;
  • Aplicação de projetos-piloto e avaliação ex post antes de adoção em larga escala, prevenindo erros regulatórios irreversíveis.”

26 de agosto de 2025 — O presidente da Frente Amapaense de Geração Distribuída, Inaldo José de Oliveira Junior, tem desempenhado um papel fundamental para transformar este projeto em realidade. Sua dedicação ao setor e trabalho incansável, em conjunto com demais entidades e com o governo, colocaram o Amapá na vanguarda da transição energética, valorizando as condições excepcionais do estado para a geração de energia solar.

O estado do Amapá dá um passo histórico na democratização da energia solar com o lançamento do inovador Programa Amapá Solar Servidor. Esta iniciativa pioneira no Brasil, que beneficiará mais de 26 mil servidores estaduais, representa um marco na política energética nacional e demonstra o comprometimento do estado com o desenvolvimento sustentável.

O programa oferece condições excepcionais de financiamento, com crédito consignado em taxas reduzidas e a facilidade do início dos pagamentos apenas após a instalação completa dos sistemas fotovoltaicos. Esta estrutura diferenciada permitirá que os servidores tenham acesso à energia limpa e renovável, resultando em significativa economia nas contas de energia elétrica.

📊 Impactos esperados do programa:

  • Mais de 15 mil sistemas fotovoltaicos instalados

  • Geração de aproximadamente 4.750 empregos diretos

  • Estímulo à economia local e ao setor de energia solar

  • Redução das emissões de carbono e fortalecimento da sustentabilidade

Mais do que uma política pública, o Programa Amapá Solar Servidor representa um divisor de águas para o setor energético nacional, unindo inovação, sustentabilidade e justiça social.

O Amapá se torna, assim, exemplo para todo o Brasil, mostrando que é possível construir políticas públicas que transformam a vida das pessoas e fortalecem o futuro da energia limpa no país.

São Paulo, 11 de Agosto de 2025 – As energias renováveis ajudaram o mundo a economizar cerca de 470 bilhões de dólares em gastos com combustíveis fósseis no último ano.

O Brasil se consolida como uma das quatro maiores potências do setor. Com uma matriz energética mais limpa e diversificada, o país se sobressai na produção de energia solar, eólica e biocombustíveis — o que garante benefícios ambientais e econômicos para a população.

De acordo com projeção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as fontes renováveis representarão mais da metade da matriz elétrica brasileira em menos de quatro anos. A previsão é que, em 2029, as energias solar e eólica respondam por 51% da capacidade instalada no país, superando as hidrelétricas, que deverão ter participação de 41,5%.

Em 2024, a redução do uso de combustíveis fósseis resultou em uma economia superior a 467 bilhões de dólares em todo o planeta, segundo relatório da Agência Internacional para Energias Renováveis.

No Brasil, a energia solar foi responsável por mais de 450 mil novos postos de trabalho no último ano. O grande desafio agora é manter o ritmo de crescimento. Para isso, são necessários mais investimentos em infraestrutura e novos acordos internacionais.

Fonte : TV Cu