Movimento Solar Livre

São Paulo, 08 de Agosto de 2025 – A Aneel deve votar na próxima terça-feira os resultados da segunda fase da Consulta Pública 39, sobre a regulamentação para o armazenamento de energia elétrica. Nesta semana, seis superintendências da agência publicaram uma Nota Técnica conjunta analisando as contribuições de agentes enviadas durante a consulta, com novidades e mudanças em relação as propostas iniciais da agência.  

O principal ponto de atenção é a metodologia proposta para a contratação do sistema de transmissão e distribuição para BESS autônomos, que no momento tende a exigir que esses projetos sejam tarifados tanto como consumidores de energia (uma tarifa mais alta) quanto como geradores. Isso contrasta com o método de “perfil dominante” proposto anteriormente, em que a tarifa aplicável seria calculada de acordo com o uso do sistema de transmissão ou distribuição. 

Por outro lado, a Nota Ténica sinaliza Embora a nota permita uma redução na quantidade de uso do sistema contratado, resultando em maior armazenamento de energia, o percentual de redução é arbitrário (atualmente 20%, contra 15% em uma iteração anterior), e isso só se aplica a sistemas novos e existentes com uma redução anual de 5%. 

“A Nota Técnica ainda não é resolução, mas é a recomendação por parte das áreas técnicas, e é compartilhada por seis superintendências então realmente representa o denominador comum de várias áreas”, disse à pv magazine o presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia, Markus Vlasists. “Só o fato de ter esse avanço já é muito positivo porque a gente sabe que a Aneel está passando por uma situação orçamentária e de mão de obra bastante desafiadora. Então a gente parabeniza a agência por ter conseguido avançar nessa discussão.” 

As definições sobre a cobrança de uso do sistema de transmissão só serão conhecidas após a deliberação e votação do tema por parte da diretoria da Aneel. O assunto está agendado para a próxima reunião do colegiado, na terça-feira (12/08).

As regras serão essenciais para a modelagem e avaliação de competitividade de investimentos em projetos de BESS centralizados, como os que pretendem participar do leilão de reserva de capacidade que o governo promete realizar desde 2024.

Vlasits lembra, no entanto, que além da regulamentação, há um outro fator crítico que atrasa o andamento do leilão, a falta de uma portaria de diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME). “Sem essa portaria, nada pode acontecer em relação ao leilão, incluindo a definição dos produtos do leilão (se será para sistemas autônomos, sistemas co-localizados ou ambos)”.

Ele reforça a necessidade de realização de um leilão para BESS, sob o risco de ou aumentar a contratação de termelétricas, ou de o país passar por um novo blecaute.

Nota Técnica destaca entre os principais resultados dessa fase:  

Estabelecimento de diretrizes sobre a necessidade de contratação de lastro por agentes detentores de SAE, considerando suas diferentes formas de operação e serviços prestados ao sistema. 

Definição conceitual dos Sistemas de Armazenamento de Energia e das modalidades de operação possíveis, com o objetivo de uniformizar o entendimento técnico-regulatório e facilitar a aplicação das normas propostas. 

Tratamento do SAE como usuário da rede elétrica, estabelecendo critérios claros para seu acesso, com definição das regras necessárias para a celebração dos Contratos de Uso dos Sistemas de Transmissão e Distribuição (CUST/CUSD).  

Flexibilização da contratação do Montante de Uso dos Sistemas (MUST/MUSD) no caso de centrais geradoras que optem pela instalação de SAE colocalizados, incentivando uma melhor utilização da infraestrutura existente e ampliando da eficiência.  

Definição da tarifa de uso aplicável ao SAE, em sintonia com o atual arcabouço normativo, assegurando a sinalização e alocação dos custos de rede para o fluxo bidirecional de potência.  

Enquadramento jurídico do SAE Autônomo como Produtor Independente de Energia Elétrica (PIE), garantindo sua adequada inserção no marco legal e regulatório vigente.  

Previsão da colocalização de SAE com centrais geradoras e unidades consumidoras, tanto em redes de transmissão quanto de distribuição, conferindo clareza e segurança jurídica. Foi prevista a possibilidade de instalação do SAE junto a central geradora tanto por meio de colocalização — com uma única outorga abrangendo a Central Geradora e o SAE — quanto por meio de associação, na qual a Central Geradora e o SAE possuem outorgas independentes, preservando sua autonomia jurídica e operacional.  

Ampliação do Programa de Resposta da Demanda, prevendo a participação dos SAE nos mecanismos de deslocamento de carga, com possíveis ajustes futuros em Procedimentos de Rede e de Comercialização, assegurando a correta contabilização da energia e a manutenção da confiabilidade do sistema. 

Avanços no tratamento das Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHR), propondo rito próprio para outorgas de unidades em ciclo fechado, e permitindo também sua inserção em empreendimentos existentes por meio de processo de alteração de características técnicas.  

Sinalização regulatória para a prestação de serviços ancilares pelos SAE, com previsão normativa para empilhamento de receitas, ampliando as possibilidades de monetização dos serviços prestados ao sistema pelo SAE.  

Definição das regras de tratamento dos encargos setoriais aplicáveis aos SAE, promovendo segurança jurídica e coerência regulatória.  

Previsão da base de cálculo aplicável à Taxa de Fiscalização dos Serviços de Energia Elétrica (TFSEE) e a eventuais penalidades, conferindo maior transparência e previsibilidade ao cumprimento das obrigações regulatórias. 

Por: Livia Neves – PVMagazine  

São Paulo, 08 de Agosto de 2025 – O Movimento Solar Livre é, mais uma vez, apoiador oficial da Intersolar South America — o maior evento de energia solar da América Latina — e este ano chega com um estande ainda mais estratégico, feito para ser o ponto de encontro de quem move a transição energética no Brasil.

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07 de Agosto de 2025 — O “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, especialmente no que tange às tarifas sobre produtos chineses, pode ter um impacto indireto e, em alguns aspectos, até benéfico para o setor de energia solar no Brasil. A China é um dos maiores produtores e exportadores de equipamentos fotovoltaicos, e as restrições impostas pelos EUA sobre esses produtos podem reconfigurar o mercado global de energia solar.

 

Oportunidades para o Brasil

Com a imposição de tarifas pesadas sobre os equipamentos fotovoltaicos chineses nos EUA, a China pode precisar redirecionar sua produção. Nesse cenário, o Brasil surge como um mercado natural para o escoamento desses produtos. Isso poderia levar a um aumento na oferta de módulos e inversores solares no mercado brasileiro, potencialmente resultando em:

  • Preços mais Competitivos: Uma maior oferta de equipamentos pode gerar uma queda nos preços, tornando os projetos fotovoltaicos ainda mais atrativos e acessíveis para consumidores e integradores no Brasil.
  • Acesso a Tecnologias de Ponta: Equipamentos e tecnologias que antes eram majoritariamente exportados para os EUA podem se tornar mais disponíveis no mercado brasileiro.
  • Redução do Custo por Watt Instalado: A diminuição dos preços dos equipamentos pode reduzir o custo total de instalação de sistemas fotovoltaicos, encurtando o tempo de retorno do investimento (payback)

Riscos e Desafios

No entanto, é fundamental considerar os riscos e desafios associados a essa possível mudança de cenário:

  • Superdependência da China: Embora a China seja um fornecedor importante, uma dependência excessiva pode expor o Brasil a vulnerabilidades em caso de futuras disrupções na cadeia de suprimentos ou mudanças nas políticas comerciais chinesas.
  • Logística Internacional: Mudanças nas rotas comerciais e na logística internacional podem gerar custos adicionais ou atrasos na entrega dos equipamentos.
  • Preferência por Outros Mercados: A China pode priorizar outros mercados em detrimento do Brasil, neutralizando os ganhos esperados.
  • Absorção de Custos: Não há garantia de que a redução nos preços dos equipamentos será totalmente repassada ao consumidor final no Brasil, podendo ser absorvida em outras etapas da cadeia de valor.

Perspectivas para o Setor Solar Brasileiro

O setor de energia solar no Brasil tem demonstrado um crescimento robusto, impulsionado por fatores como a busca por fontes de energia mais limpas, a redução dos custos de instalação e os incentivos governamentais. O “tarifaço” de Trump, embora não afete diretamente as exportações brasileiras de energia solar para os EUA (já que o Brasil não é um grande exportador de painéis solares para lá), pode criar um ambiente de mercado favorável para a importação de equipamentos mais baratos e de alta qualidade.

Para que o Brasil realmente se beneficie desse cenário, é crucial que o governo e o setor privado estejam atentos às movimentações do mercado global e desenvolvam estratégias para aproveitar as oportunidades. Isso inclui a criação de políticas de incentivo à energia solar, a facilitação da importação de equipamentos e o estímulo à produção nacional de componentes, visando reduzir a dependência externa a longo prazo.

Em resumo, o “tarifaço” de Trump, ao reconfigurar o mercado global de energia solar, pode apresentar uma oportunidade única para o Brasil acelerar a expansão de sua matriz energética solar, tornando-a mais acessível e competitiva. No entanto, é necessário um planejamento estratégico cuidadoso para mitigar os riscos e garantir que os benefícios sejam plenamente realizados.

06 de Agosto de 2025 — Em 30 de julho de 2025, o governo dos Estados Unidos, sob a administração do Presidente Donald Trump, oficializou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados. Esta medida representa um aumento significativo em relação à tarifa de 10% já existente desde abril do mesmo ano, com a nova alíquota entrando em vigor em 6 de agosto de 2025. A justificativa oficial para tal ação foi a alegação de uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional e à economia dos EUA, citando questões políticas e de liberdade de expressão no Brasil.

Impacto Econômico e Comercial Geral

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) do Brasil estimou que a medida afetará aproximadamente 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. No entanto, é crucial notar que a decisão veio acompanhada de uma lista de cerca de 700 produtos isentos do aumento, o que corresponde a aproximadamente 44,6% do total exportado pelo Brasil para os EUA em 2024 (cerca de US$ 18 bilhões de um total de US$ 40,4 bilhões).

Produtos Afetados e Isentos

Produtos Isentos: A lista de exceções inclui itens de grande relevância para a pauta exportadora brasileira, como aeronaves, petróleo, ferro, aço, suco de laranja, celulose e alguns minerais. A isenção desses produtos estratégicos pode mitigar parte do impacto total esperado.

Produtos Afetados: Por outro lado, produtos como café e carne bovina não foram incluídos na lista de isenção e, portanto, serão sobretaxados. O setor siderúrgico, por exemplo, já vinha enfrentando uma tarifa de 50% desde junho, o que demonstra uma tendência de proteção a setores específicos da economia americana.

Consequências para a Economia Brasileira

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o MDIC alertam para as consequências negativas do tarifaço na economia brasileira. Espera-se um impacto direto na geração de empregos e na produção nacional, especialmente nos setores mais atingidos. A medida pode levar a uma redução da competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano, forçando exportadores a buscar novos mercados ou a absorver os custos adicionais, o que pode comprometer suas margens de lucro.

Reação do Governo Brasileiro

O governo brasileiro, através de declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin, indicou que as negociações com os EUA continuarão. O objetivo é buscar a redução das tarifas para os setores mais afetados e, simultaneamente, explorar e consolidar novos mercados para os produtos brasileiros. Essa estratégia visa diversificar as parcerias comerciais e reduzir a dependência do mercado americano.

Impacto nos EUA

Embora as tarifas visem proteger a indústria americana, há análises que sugerem que os consumidores americanos também podem pagar o preço. O aumento das tarifas pode resultar em preços mais altos para os produtos importados do Brasil, o que, em última instância, pode ser repassado ao consumidor final. Além disso, a medida pode inibir a importação de certos produtos, incentivando a produção interna, mas potencialmente limitando a variedade e a competitividade no mercado americano.

Cenário Político e Geopolítico

É importante considerar que o “tarifaço” não se limita apenas a questões econômicas. A justificativa apresentada pela Casa Branca, que menciona “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional e à economia dos EUA, com alegações de perseguição política e restrições à liberdade de expressão no Brasil, sugere uma dimensão política e geopolítica subjacente à decisão. Analistas apontam que o impacto pode ser mais político do que econômico em alguns aspectos, servindo como um instrumento de pressão ou sinalização em um contexto de relações internacionais complexas.

Repercussões Internacionais

As tarifas impostas pelos EUA ao Brasil se inserem em um cenário mais amplo de guerra comercial global, com outros países também sendo afetados por medidas protecionistas americanas. A retaliação por parte do Brasil, embora seja uma possibilidade, é vista por especialistas como uma medida insensata que poderia agravar ainda mais a situação, gerando perdas bilionárias para a economia brasileira. A busca por novos mercados e a diversificação das parcerias comerciais tornam-se, portanto, estratégias cruciais para o Brasil neste contexto.

Perspectivas Futuras

O governo brasileiro mantém a expectativa de que as negociações com os Estados Unidos possam levar a uma revisão das tarifas para os setores mais afetados. A lista de exceções, que já abrange uma parcela significativa das exportações, demonstra que há espaço para diálogo e ajustes. No entanto, a incerteza persiste, e a capacidade do Brasil de se adaptar a este novo cenário comercial dependerá de sua agilidade em encontrar alternativas e fortalecer suas relações com outros parceiros comerciais.

Conclusão da Análise Geral

O tarifaço dos EUA ao Brasil representa um desafio significativo para a economia brasileira, com impactos diretos em setores-chave e na geração de empregos. Embora a lista de exceções mitigue parte do dano, a medida exige uma reavaliação das estratégias comerciais do Brasil e um fortalecimento de suas relações com outros mercados. A dimensão política da decisão americana adiciona uma camada de complexidade, exigindo uma abordagem diplomática cuidadosa por parte do governo brasileiro. A busca por diversificação e a resiliência da economia brasileira serão testadas neste novo cenário de protecionismo comercial.