São Paulo, 28 de Julho de 2025 – A possível retomada do horário de verão no Brasil, atualmente em análise pelo Governo Federal, pode representar mais do que um simples ajuste nos relógios: segundo avaliação da Thymos Energia, uma das principais consultorias especializadas em negócios do setor elétrico no país, a medida pode contribuir de forma estratégica para a otimização do uso das fontes renováveis durante os períodos de maior demanda por eletricidade.
De acordo com a empresa, embora os efeitos diretos sobre o consumo total de energia sejam limitados, o cenário atual de expansão da matriz elétrica com forte presença de solar fotovoltaica e eólica abre espaço para novas leituras sobre os impactos positivos da mudança no horário oficial.
“Continuar a gerar energia por mais uma hora contribuiria para mitigar, em parte, o início do segundo pico, que é das 19 e 22 horas, período em que as pessoas estão voltando do trabalho para suas casas e ligam simultaneamente diversos equipamentos elétricos”, afirma Mayra Guimarães, diretora de Regulação e Estudos de Mercado da Thymos Energia.
Nova matriz, novos benefícios
A avaliação da Thymos está ancorada na configuração atual da matriz elétrica brasileira, que passou por uma transformação expressiva nos últimos anos. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que a fonte solar fotovoltaica já representa 24,5% da matriz, com mais de 59 GW de capacidade instalada. Somente no primeiro semestre de 2025, foram acrescidos 5,1 GW ao sistema, de acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Esse crescimento robusto da solar, agora a segunda principal fonte de geração elétrica do país, cria condições mais favoráveis para o retorno do horário de verão, segundo a consultoria. A medida, que adiantaria os relógios em uma hora na maior parte do território nacional, poderia ampliar a coincidência entre o período de incidência solar e os horários de pico do consumo, promovendo um uso mais eficiente da energia gerada durante o dia.
“A geração de energia solar é uma fonte diurna e estratégica para atender ao pico de consumo que ocorre entre 13 e 17 horas”, destaca Mayra.
Convergência com a geração eólica
Além da solar, o horário de verão também poderia favorecer a integração da geração eólica. Atualmente, essa fonte responde por 13,9% da matriz elétrica nacional, com mais de 33 GW instalados. Seu melhor desempenho se dá no início da noite — exatamente o momento em que ocorre o segundo pico de demanda elétrica.
“O horário de verão ajudaria ainda para o maior aproveitamento da geração eólica, cujo melhor desempenho ocorre no começo da noite”, observa a executiva.
A adoção da mudança no horário, portanto, pode funcionar como um instrumento complementar de gestão da operação do sistema interligado, ao alinhar a curva de geração das fontes renováveis com o comportamento da demanda — especialmente em um cenário de crescente eletrificação, uso de equipamentos simultâneos e pressões sobre a confiabilidade da rede.
Mudança de paradigma desde a suspensão em 2019
O horário de verão foi suspenso no Brasil em 2019, sob o argumento de que seu impacto na economia de energia havia se reduzido devido à mudança no perfil de consumo e à menor dependência da iluminação artificial. À época, a geração solar era incipiente, com apenas 4 GW de capacidade instalada.
No entanto, como ressalta Mayra, o contexto energético brasileiro mudou consideravelmente nos últimos anos: “Em 2019, quando houve a decisão de não manter a diretriz aplicada desde 1931, a representatividade da geração solar no país era muito menor, com 4 GW de capacidade instalada, mas o cenário mudou. Hoje, trata-se da segunda fonte de geração mais abundante do país”, conclui.
Retomada em estudo pelo Governo Federal
A discussão sobre o retorno do horário de verão foi reaberta em 2023, motivada por debates sobre o uso racional da energia, segurança do sistema e modernização do setor. O Ministério de Minas e Energia (MME) já indicou que a decisão será baseada em estudos técnicos que consideram os impactos na operação do sistema, no consumo, na saúde da população e na economia.
A análise da Thymos Energia acrescenta um novo elemento a esse debate: a convergência entre o horário de verão e o melhor aproveitamento das fontes renováveis, alinhado com os objetivos de transição energética e eficiência no uso dos recursos.
São Paulo, 28 de julho de 2025 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor de R$1 bilhão para a Atlas Renewable Energy construir 11 usinas fotovoltaicas no município de Arinos, em Minas Gerais, informou o banco de fomento nesta segunda-feira, 28.
Previsto para entrar em operação no início de 2026, o complexo solar Draco terá capacidade instalada total de 505 megawatts em corrente alternada (MWac). O projeto também prevê a implantação de um sistema de transmissão associado, formado por uma subestação de 500 kV e uma linha de transmissão com aproximadamente 15 quilômetros de extensão.
“É um projeto que agrega um volume significativo de energia limpa e renovável à nossa matriz elétrica e atende às diretrizes de descarbonização da política industrial do governo do presidente Lula… A agenda verde está no centro da estratégia de atuação do banco”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em comunicado.
A previsão é que o complexo solar possa gerar cerca de 2.100 empregos na fase de implantação.
Foi anunciado no ano passado que o projeto mineiro da Atlas teria como consumidor de energia a V.tal, empresa de infraestrutura digital controlada pelo BTG e importante investidora em data centers no Brasil.
“O complexo solar Draco representa mais do que um investimento em energia solar, mas o compromisso da Atlas em suportar o desenvolvimento da indústria brasileira com base em energia sustentável, e marca nossa presença no setor de data centers”, afirmou Fabio Bortoluzo, diretor-geral da Atlas Renewable Energy no Brasil.
O projeto, que está sendo financiado com recursos do Finem e do Fundo Clima, está alinhado ao esforço do Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas (PNMC) para redução das emissões de gases de efeito estufa.
Fonte: DA REUTERS
São Paulo, 27 de Julho de 2025 – O Congresso Nacional vai analisar a medida provisória que que exige o uso de energia renovável pelas empresas instaladas em Zona de Processamento de Exportação (ZPE) (MP 1.307/2025). Ela tem validade até o dia 18 de setembro, mas o prazo pode ser prorrogado por mais dois meses.
As ZPEs são áreas com tratamento tributário favorecido para estimular a instalação de empresas que produzem bens e serviços voltados ao mercado externo. Hoje existem 17 ZPEs em 16 estados brasileiros.
A medida determina que toda a energia elétrica usada por empresas instaladas em ZPEs seja proveniente de fontes renováveis, como solar ou eólica. A obrigação valerá apenas para as empresas que começarem a operar após a publicação da medida, nesta segunda-feira (21). Ela não se aplica à geração de energia para consumo próprio dentro da respectiva ZPE.
Outro dispositivo da MP estende os benefícios fiscais da ZPE às empresas que prestam serviços vinculados à industrialização das mercadorias a serem exportadas. Para isso, essas prestadoras precisam ter vínculo contratual com alguma empresa autorizada a operar em ZPE.
Quando o vínculo for desfeito, a empresa instalada em ZPE ou a prestadora de serviço terão 30 dias para comunicar o fato ao Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Tramitação
As medidas provisórias têm força de lei e efeitos imediatos, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perderem a validade. A MP vai passar por uma comissão mista de deputados e senadores e depois será votada nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
Fonte: Agência Senado
São Paulo, 26 de Julho de 2025 – A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) informa nesta sexta-feira (25/7) o acionamento da Bandeira Vermelha, no patamar 2, para o mês de agosto. Isso significa que as contas de energia elétrica terão adicional de R$ 7,87 (sete reais e oitenta e centavos) para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
O cenário de afluências abaixo da média em todo o país reduz a geração por meio de hidrelétricas. Esse quadro eleva os custos de geração de energia, devido à necessidade de acionamento de fontes mais caras, como as usinas termelétricas.
Sobre as bandeiras tarifárias
O sistema de bandeiras tarifárias foi criado pela ANEEL em 2015 para indicar, aos consumidores, os custos da geração de energia no Brasil. Ele reflete o custo variável da produção de energia, considerando fatores como a disponibilidade de recursos hídricos, o avanço das fontes renováveis, bem como o acionamento de fontes de geração mais caras como as termelétricas.
Com as bandeiras, o consumidor ganha um papel mais ativo na definição de sua conta de energia. Ao saber, por exemplo, que a bandeira está vermelha, o consumidor pode adaptar seu consumo para ajudar a reduzir o valor da conta. Pela regra anterior, que previa o repasse somente nos reajustes tarifários anuais, o consumidor não tinha a informação de que a energia estava cara naquele momento e, portanto, não tinha um sinal para reagir a um preço mais alto.
Com o acionamento da bandeira vermelha patamar 2, a ANEEL reforça a importância da conscientização e do uso responsável da energia elétrica. A economia de energia também contribui para a preservação dos recursos naturais e para a sustentabilidade do setor elétrico como um todo.
Confira abaixo o vídeo que explica como funciona o acionamento das bandeiras tarifárias:
Fonte: Aneel