Movimento Solar Livre

São Paulo, 24 de Julho de 2025 – O Brasil se consolidou como um dos países com menores custos de geração de energia renovável no mundo, segundo dados fornecidos pelo relatório “Renewable Power Generation Costs in 2024”, publicado pela Irena (Agência Internacional para Energias Renováveis) no começo desta semana.

O documento aponta que 91% dos projetos renováveis instalados em todo o mundo em 2024 geraram eletricidade a um custo mais baixo do que a fonte fóssil mais barata.

No Brasil, a energia fotovoltaica alcançou um custo nivelado de eletricidade de US$ 0,036/kWh, abaixo da média global de US$ 0,049/kWh. Já a energia eólica onshore teve um custo médio de US$ 0,030/kWh frente à média mundial de US$ 0,034/kWh.

O relatório destaca que o Brasil mantém essa competitividade há mais de uma década, resultado de leilões bem estruturados, recursos naturais abundantes e uma matriz elétrica diversificada.

Os projetos brasileiros figuram entre os mais econômicos do mundo, ao lado de iniciativas na China, Índia, Emirados Árabes e Chile. O levantamento da IRENA também chama atenção para o fato de que, globalmente, as energias renováveis evitaram US$ 467 bilhões em custos com combustíveis fósseis apenas em 2024.

Projeções

pesquisa da IRENA projeta que as fontes renováveis continuarão ganhando competitividade nos próximos anos, impulsionadas por avanços tecnológicos e pelo amadurecimento das cadeias globais de fornecimento.

De acordo com o relatório, o custo médio global de instalação da energia solar fotovoltaica deve cair de US$ 691/kW em 2024 para cerca de US$ 388/kW até 2029. No caso da geração eólica onshore, a expectativa é de redução de US$ 1.041/kW para US$ 861/kW no mesmo período.

A IRENA ressalta, no entanto, que o custo de financiamento permanece como um dos principais fatores determinantes na viabilidade de novos projetos renováveis. Aspectos como previsibilidade de receitas, estrutura de capital e cenário macroeconômico são decisivos para atrair investimentos e garantir a competitividade das fontes limpas no longo prazo.

Fonte : Canal Solar

 

 

São Paulo (SP), 24 de julho de 2025- A diretora da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) Agnes Costa disse nesta quarta-feira (23) que a reguladora está discutindo “o quanto pode ou não avançar” em cortes obrigatórios (chamados de curtailment) para MMGD (Micro e Minigeração Distribuída), “juridicamente e tecnicamente”. A diretora relata a CP (Consulta Pública) 45/2019, que trata do tema.

“A gente está falando de muitos agentes que têm muitos direitos, e a gente vai ter que delimitar melhor esses direitos, e aí vai doer”, disse a diretora durante participação no seminário Lide Energia. Ela ressaltou que os agentes de GD são colocados como consumidores pela legislação, o que pode levar a questionamentos futuros caso passem a sofrer com curtailment. “Não é justo você sacrificar um pedaço só e deixar o outro”, completou.

Data Center
Outro ponto levantado pela diretora foi a necessidade de energia firme para consumidores como os data centers. “A gente sabe que são demandas de energia 24 horas por sete [dias da semana]. Isso significa que quem quer que esteja investindo tem que olhar para contratar a energia direito. Se for contratar só a eólica e solar, a gente vai só acentuar esse problema de corte [de geração]”, ponderou, apontando também o armazenamento como uma opção.

12 de julho de 2025

Por Hewerton Martins, Presidente do Movimento Solar Livre

 

“Estamos vivendo um verdadeiro paradoxo energético no Brasil.”

Enquanto o mundo disputa cada megawatt para mover data centers e indústrias verdes, o Brasil, um dos países com maior potencial solar e eólico do planeta, desperdiça energia limpa aos montes, penaliza quem gera a própria energia e empurra toda a sociedade para tarifas mais caras, sem oferecer planejamento, segurança ou justiça ao consumidor.

 

Em 2024, as grandes usinas centralizadas de energia solar e eólica (as centrais em parque) foram alvo de cortes: o ONS registrou 4.330 GWh de energia limpa desperdiçada, simplesmente porque faltam linhas de transmissão e capacidade de armazenamento.

Isso representa energia suficiente para abastecer cerca de 2,2 milhões de residências por um ano, com base no programa social que distribui 80 kWh/mês a famílias do CadÚnico (MP 1.300).

 

Mas, em vez de transformar essa abundância em benefício ao cidadão, o governo prefere acionar termelétricas, impor bandeira vermelha na tarifa e agora mira os pequenos geradores distribuídos (as placas solares no telhado), com uma proposta absurda do Ministério da Fazenda (Haddad), para incluir a MMGD nos cortes contábeis — em total descompasso com a Lei 14.300, que garante o direito à compensação da energia solar.

 

Enquanto isso, o consumidor final já paga a “taxação do fio” prevista no marco legal, enfrenta reprovações indevidas por “inversão de fluxo” nas conexões e luta por uma simples autorização para gerar energia em casa. Pequenas empresas, escolas e comércios usam o solar como estratégia de sobrevivência frente a uma tarifa que beira o absurdo, mas são tratados como parte do problema.

 

E não é só o residencial: a indústria brasileira também é penalizada, perdendo competitividade com tarifas elevadas. E até o setor de grande porte sofre: grandes parques solares e eólicos estão sendo desligados, mesmo com contratos firmados, por falta de infraestrutura.

 

“Este problema não é técnico, é político.”

 

Dentro do Congresso, essa crise vem se intensificando. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disparou críticas diretas ao ministro Alexandre Silveira por falta de planejamento energético e por ações que penalizam toda a sociedade. Em sessão plenária, Alcolumbre declarou:

 

“Chega de narrativas manipuladas e terrorismo tarifário… Não há aumento tarifário. Há, sim, compromisso com a modicidade tarifária, com o equilíbrio federativo, com a inovação e com o futuro do setor elétrico nacional.”

(valor.globo.com, eixos.com.br)

 

O embate é claro: Alcolumbre, que já pediu a saída do ministro por ignorar demandas da Casa e do setor, acusa o governo de tentar transferir os prejuízos pela falta de infraestrutura ao consumidor. É um conflito explícito, que sinaliza uma crise institucional cada vez mais grave.

 

“O governo desperdiça o insumo estratégico do século XXI.”

 

Enquanto isso, em Londres e no Reino Unido, empresas como Octopus Energy e E.ON Next aplicam tarifas dinâmicas: quando sobra energia renovável, o preço cai — às vezes até zero — incentivando o consumo e premiando quem ajuda na estabilidade da rede.

 

No Brasil, quando sobra energia, o preço sobe. Não há estratégia, não há política, não há visão. Hidrelétricas nem são usadas como baterias naturais, armazenamento é ignorado e linhas de transmissão são deixadas para depois.

 

“Isso não é escassez de energia, é escassez de visão.”

 

A pergunta que fica ecoando é simples:

 

É isso mesmo? Esse é o caminho?

 

Ou vamos continuar penalizando quem gera com suor e investimento? Vamos manter os pequenos, grandes, indústrias e centros vulneráveis pagando pela falta de planejamento de quem deveria cuidar do país?

 

É hora de transformar a abundância em energia limpa, barata e justa, e recuperar o futuro que já está sendo desperdiçado.

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que estabelece prioridade para o uso de energia solar por edifícios de uso coletivo públicos ou privados, por meio do aproveitamento dos insumos e tecnologias disponíveis.

A medida é válida para todas as fontes de energia consideradas limpas e se aplica aos prédios do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). A proposta altera a Lei 4.380/64 e o Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01).

Foi aprovado um substitutivo ao Projeto de Lei 5733/09, do Senado Federal. O texto original previa a criação de incentivos fiscais para a adoção de sistemas de energia solar em edifícios, no entanto o relator, deputado Guilherme Boulos (Psol-SP), considerou que esta parte traria “incompatibilidade e inadequação orçamentária” ao texto, uma vez que geraria gastos extras ao Orçamento federal.

Por esse motivo, o parecer rejeita projetos apensados (PL 3173/08 e PL 1484/07), além do substitutivo adotado pela Comissão de Minas e Energia.

Em relação ao objetivo da proposta, Boulos se posicionou favorável. “Essa iniciativa impulsiona o desenvolvimento do setor de tecnologias sustentáveis, gerando empregos e inovação tecnológica no País, o que reforça o papel do Brasil na transição energética global”, disse.

O texto aprovado também estabelece que o plano diretor do município deverá conter critério para a promoção da produção, da conservação e do uso racional de energia nas edificações, procurando incentivar as medidas ambientalmente responsáveis.

Próximos passos
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Fonte: Agência Câmara de Notícias